quarta-feira, 18 de julho de 2018

Morning Call - 18/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Além de ter sido o destaque da agenda econômica desta terça-feira (vide o Morning Call de ontem), o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, foi o principal trigger (gatilho) para a melhora do humor dos mercados globais. Perante os senadores norte-americanos, Powell afirmou que a economia do país deverá ter pela frente vários anos de inflação baixa e um mercado de trabalho robusto, atenuando maiores preocupações acerca do ritmo de alta na taxa de juros. Vale ressaltar que uma alta mais intensa nos juros dos EUA teria o potencial de afugentar parte dos investidores de outros mercados, especialmente dos emergentes como nós, para títulos mais seguros como os Treasuries (equivalente ao Tesouro Direto norte-americanos), que neste caso também passariam a render mais.


Pegando carona com a melhora do humor global, os ativos locais registraram uma sessão de ganhos nesta terça-feira e os juros futuros negociados na B3 cederam (fecharam) ao longo de toda curva (em praticamente todos os vencimentos). Com o fechamento das taxas, os preços dos títulos do Tesouro Direto se valorizaram, especialmente nas modalidades prefixadas e os indexadas ao IPCA.


Na agenda econômica desta quarta-feira teremos mais um depoimento de Jerome Powell, desta vez junto aos deputados norte-americanos, também às 11:00, e mais tarde as atenções se voltam para a divulgação do Livro Bege, às 15:00, que apresentará um panorama das condições atuais da economia dos EUA. Ambos serão acompanhados de perto pelos investidores mundiais e podem ditar o ritmo dos negócios por aqui. Um discurso mais ameno do presidente do Fed pela manhã e a sinalização de que a economia norte-americana segue robusta no documento a ser divulgado a tarde podem contribuir para mais uma melhora dos mercados nesta quarta-feira (18).


Bom dia e bons negócios!










terça-feira, 17 de julho de 2018

Morning Call - 17/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

O mercado de juros futuros apresentou um comportamento distinto ao longo da curva (leia-se entre os diferentes prazos de vencimento) com as taxas recuando ("fechando", no jargão do mercado) nos vencimentos mais próximos (na "ponta mais curta"), até 2023, e subindo a partir daí (nos "vértices mais longos", usando a terminologia técnica).


O movimento coincide com a divulgação da prévia mais fraca, ainda que esperada, da atividade econômica do nosso país no mês de maio. Segundo divulgado pelo Banco Central, o IBC-Br - considerado uma proxy do Produto Interno Bruto (PIB), registrou queda de -3,34% em relação ao mês de abril, basicamente por conta dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros ocorrida em maio. Com um nível de atividade mais fraco os agentes de mercado acabam vislumbrando de taxa de juros baixas por um período mais prolongado para estimular a economia - ao menos é a leitura que se pode ter no curto prazo. Com o recuo das taxas de juros futuras, acabam se beneficiando os títulos públicos prefixados e indexados a inflação com prazo de vencimento mais curtos, preponderantemente até o ano de 2023, por conta da valorização no preço de venda, caso o investidor opte por resgatá-los antecipadamente.


Por outro lado as taxas mais longas acabaram seguindo de perto o cenário externo na última sessão. Os juros (yields) dos títulos norte-americanos registraram alta impulsionados pelos dados de vendas do varejo de junho divulgados na manhã desta segunda-feira (16) que, como bem ressaltado pela agência de notícias Reuters, apresentou o quinto mês consecutivo de crescimento e amenizou temporariamente as preocupações em torno das disputas comerciais entre os EUA e China. Juntamente com a alta dos Treasuries vale destacar que as incertezas relacionadas ao quadro fiscal brasileiro para os próximos anos e o cenário político/eleitoral também contribuem para o tom de cautela nos vencimentos mais longos.


Nesta terça-feira a agenda econômica traz como destaque o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell, às 11h00, que poderá sinalizar os próximos passos para o ritmo de alta da taxa de juros norte-americana.


Bom dia e bons negócios!










segunda-feira, 16 de julho de 2018

Morning Call - 16/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

A divulgação de dados de atividade e inflação nos últimos dias acabou dissipando, ao menos no curto prazo, os riscos de que o Banco Central dos EUA intensificasse o ritmo de alta na taxa de juros por lá. Na sexta-feira, os juros oferecidos pelos Treasuries de 10 anos (títulos públicos norte-americanos, equivalentes ao nosso Tesouro Direto) encerraram aos 2,829% ao ano e se distanciaram da barreira psicológica dos 3,0% observados em meados de maio e que vinha desencadeando a correção dos ativos emergentes. Dados de emprego, em especial os ganhos médios por hora trabalhada nos EUA divulgados no dia 06, ajudaram a mitigar quaisquer pressões sobre os preços na maior economia do planeta. Por falar em inflação, foi divulgada a inflação ao consumidor norte-americano do mês de junho na última quinta-feira (12) e que apresentou uma ligeira alta de 0,1% em relação ao mês de maio, ficando abaixo das expectativas que apontavam um ligeiro avanço de 0,2%. As expectativas são de que os preços sigam comportados, especialmente por conta da redução do sentimento do consumidor dos EUA, divulgado pela Universidade de Michigan, que atingiu o menor patamar em seis meses diante das preocupações dos consumidores norte-americanos em relação aos efeitos da guerra comercial promovida pelo presidente Donald Trump. Neste caso, consumidor cauteloso pode levar a queda das vendas o que pode fazer com que as empresas tenham menos espaço para elevar os preços e, portanto, levando a um quadro de menor inflação e menos pressão para a elevação da taxa de juros por lá.

Por aqui, mesmo com o quadro fiscal pressionando a dinâmica dos juros futuros, o cenário externo prevaleceu e fez com que estas taxas cedessem um pouco na sessão desta sexta-feira (13), o que contribuiu para a alta dos preços dos títulos indexados a inflação e prefixados ofertados no Tesouro Direto, em relação ao fechamento da semana anterior.

Com a perspectiva de manutenção da taxa Selic neste ano e de que seja elevada no próximo ano, mantenho cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto. No front externo, os recentes indicadores divulgados trouxeram algum alívio em relação às expectativas de alta da taxa de juros nos EUA, mas as tensões comerciais envolvendo os EUA e os demais países seguem apresentando um fator de risco no curto prazo.

Diante disso, para o investidor estreante ou pouco familiarizado com o mercado de financeiro vale a recomendação de fazer seus investimentos na modalidade pós fixada, que é a que mais se assemelha ao comportamento da caderneta de poupança, mas com ganhos superiores ao longo do tempo. Dentro do Tesouro Direto este investimento seria o Tesouro Selic 2023.

Para o investidor que busca capturar oportunidades, mesmo em um contexto de maior volatilidade recomendamos conhecer o relatório Mapa do Tesouro: Recomendações de Tesouro Direto.

Bom dia e bons negócios!










sexta-feira, 13 de julho de 2018

Morning Call - 13/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Mesmo com a melhora do humor no exterior o mercado de juros futuros negociados na B3, balizadores do mercado de renda fixa, inclusive do Tesouro Direto, registrou uma sessão de alta nesta quinta-feira (12) diante do quadro fiscal mais desafiador que se desenha para o próximo ano. A aprovação da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO), que serve para determinar o quanto o governo deverá se planejar para gastar no próximo ano (o quanto pretende gastar será encaminhado em meados de agosto para a aprovação do Congresso), apresentou uma projeção de cortes dos gastos públicos aquém do esperado tornando ainda mais incerto o quadro de estabilidade do déficit públicos no decorrer dos próximos anos. Além de levar os investidores a atribuirem um prêmio maior (leia-se juros cobrados) à dívida soberana - títulos públicos ofertados pelo Tesouro Nacional para o financiamento dos gastos do governo, onde se incluem os títulos do Tesouro Direto - a deterioração das contas públicas também apresenta um componente inflacionário ao longo do tempo (como parte da demanda agregada) o que forçaria o Banco Central a elevar a taxa Selic - o que também justifica a alta dos juros futuros registrada na última sessão. Diante disso, os títulos prefixados e indexados a inflação disponibilizados no Tesouro Direto são os que mais sofrem dentro deste cenário, pois o preço obtido na compra ou venda é calculado a partir dos juros praticados no momento da negociação: quando os juros sobem a cotação cai ou vice versa.

Mantenho cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto, especialmente aqueles que com vencimento mais distante, que devem seguir sofrendo maiores variações nos preços por conta das incertezas domésticas seja pelo quadro fiscal incerto nos próximos anos ou pela corrida eleitoral se aproximando cada vez mais, bem como pelo cenário externo com as tensões comerciais envolvendo os EUA e China.




Bom dia e bons negócios!






quinta-feira, 12 de julho de 2018

Morning Call - 12/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Confirmando meu cenário traçado nos últimos dias, o mercado de juros encerrou a sessão desta quarta-feira (11) em alta em meio aos temores de um recrudescimento da guerra comercial envolvendo os EUA e a China. Os impactos de uma guerra comercial envolvendo as duas potências pode ser desastroso para a retomada da economia mundial. Dentre os possíveis efeitos pode-se destacar a elevação de tarifas às importações de matérias-primas utilizadas na indústria cujos impactos poderão ser sentidos ao longo do tempo no custo de produção que poderão ser repassados nos preços finais destes produtos junto aos consumidores, ou seja, alta na inflação. Uma alta na inflação, notadamente nos EUA, forçaria o Banco Central norte americano (Federal Reserve) a intensificar o (já iniciado) processo de elevação da taxa de juros no país, o que tornaria os títulos de sua dívida soberana - equivalente ao Tesouro Direto deles, também conhecidos por Treasuries - mais atrativos em comparação aos investimentos em outros países. Além disso, a possibilidade de perda de mercado para alguns produtos norte-americanos, diante da retaliação chinesa em resposta às empreitadas de Trump, pode resultar na queda das vendas de setores da industria norte-americana forçando, portanto, a redução na produção local o que levaria ao círculo vicioso de demissões e queda na atividade econômica. Estas preocupações com o cenário externo mais incerto resultaram claramente num movimento global de migração de fluxos de investimentos dos investidores mundiais para ativos mais seguros, como os Treasuries - movimento também conhecido por "voo para a qualidade" ou "flight to quality", na sigla em inglês. Este movimento tem feito, desde o início do ano, com que a demanda por dólares resultasse na alta da divisa norte-americana em relação ao real (diga-se de passagem em relação a outras moedas emergentes também como o rand sul africano, peso mexicano, etc) puxando para cima os juros futuros negociados na Bolsa. Como dito nos últimos posts, estes juros servem de referência para os rendimentos e preços praticados nas negociações dos títulos negociados no Tesouro Direto.

Já na sessão desta quinta-feira (12), além das tensões comerciais envolvendo os EUA e a China, as atenções devem se voltar para a divulgação dos dados de inflação de junho nos EUA que será conhecido às 9h30 cujas expectativas projetam um avanço de 0,2% em relação ao mês de maio.

Diante disso, sigo vislumbrando cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto, especialmente aqueles que com vencimento mais distante, que devem sofrer maiores variações nos preços por conta das incertezas domésticas (vide Morning Call desta quarta-feira) e do cada vez mais desafiador cenário externo.


Bom dia e bons negócios!







quarta-feira, 11 de julho de 2018

Morning Call - 11/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Mesmo que ainda distante de termos um céu de brigadeiro, o humor dos investidores registraram alguma melhora no início desta semana no mercado de juros futuros (DI futuro) negociados na Bolsa. Acompanhando a queda do dólar, estas taxas registraram forte baixa ao longo de toda curva, leia-se prazos de vencimentos, contribuindo para que os preços dos títulos públicos prefixados e indexados a inflação registrassem uma alta nos preços de venda no Tesouro Direto. Cabe lembrar que o rendimento do Tesouro Direto varia, principalmente nas modalidades prefixadas e indexadas ao IPCA, caso o investidor opte por resgatar seu investimento antes do vencimento. A variação do rendimento destes títulos está intrinsecamente ligada ao movimento das taxas de juros futuras negociadas na Bolsa que servem como parâmetro para os investidores negociarem os rendimentos (yields) no mercado de renda fixa.

Outro ponto ressaltado pela mídia nesta terça-feira (10) foi o fato da revisão das expectativas de crescimento da economia brasileira, apuradas pelo Banco Central, através da pesquisa semanal Focus, e pelo fato de que o cenário político segue inalterado, ou seja, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece fora da disputa eleitoral, confirmando, ao menos por ora, que a decisão de torná-lo inelegível continua valendo.

Contudo, sigo vislumbrando que apesar da elevada ociosidade da economia não descarto alguma reversão das expectativas em relação a projeção de inflação e taxa de juros no país. Fatores como: reajustes na energia elétrica, preços dos combustíveis e até mesmo a alta do dólar podem pressionar (se já não estão!) a inflação no decorrer dos próximos meses forçando ao já previsto aumento da taxa Selic no próximo ano. Diante disso, sigo com cautela em relação aos títulos indexados a inflação e prefixados, especialmente com vencimentos mais longos (distantes).



Bom dia e bons negócios!




Veja também minha entrevista concedida a Money Report nesta terça-feira (10)






segunda-feira, 9 de julho de 2018

Morning Call - 09/07/2018


Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Os juros futuros seguiram devolvendo prêmio na última semana tendo o movimento sustentado pelos números de IPCA e 'payroll' dentro das expectativas na sessão desta sexta-feira. Mesmo registrando a maior alta para um mês de junho desde 1995, o IPCA avançou 1,26% em relação ao mês de maio e ficou ligeiramente abaixo das expectativas que apontavam para uma alta de 1,28%. Ainda surtindo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, a inflação de junho também foi pressionada pelo aumento da conta de luz, o que deve se repetir nos próximos levantamentos juntamente com os recentes reajustes no preço do gás de cozinha. Lá fora, os dados de emprego nos EUA ficaram praticamente em linha com as projeções ao somar 213 mil criações de vagas no mês de junho (est. 200 mil), mas o destaque ficou para o avanço de apenas 0,2% nos ganhos médios por hora trabalhada (est. 0,3%), o que afasta, por enquanto, quaisquer preocupações me relação a inflação no país e traz algum alívio em torno das expectativas em relação ao ritmo de alta na taxa de juros na maior economia do planeta. Por falar de inflação norte-americana, o destaque na agenda econômica ficará para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do mês de junho na quinta-feira, além do relatório Focus e do IGP-DI nesta segunda-feira (09), neste caso sem negociações por conta do feriado no Estado de São Paulo. Sigo vislumbrando que as incertezas ainda permanecem no radar e espero que tenhamos mais sessões de volatilidade no mercado de taxa de juros. Diante disso, vale cautela em relação aos títulos indexados a inflação e prefixados ofertados no Tesouro Direto.



Bom dia e excelente semana!