sábado, 21 de julho de 2018

Saraiva: Upside a Vista?



Por Carlos Soares, CNPI


A Saraiva S.A. Livreiros e Editores, popularmente conhecida por livraria Saraiva, é um dos maiores varejistas de conteúdo com foco em educação e cultura do país. A companhia passa por um plano de transformação centrado na transformação digital de seus negócios com a criação de canais voltados para o crescente segmento E-Commerce (vendas online). Dentro dessa estratégica destaca-se o crescimento da participação do segmento online sobre sua receita que passou de R$ 175,5 milhões no 1T17 (cerca de 35% da receita líquida) para R$ 234,7 milhões no 1T18 (equivalente a 41%).


No que tange ao desempenho operacional a companhia apresentou importantes avanços no decorrer do último ano que resultou em ganhos de margens através de iniciativas como, segundo informado em seu release, “controle de despesas, rígido processo de seleção de projetos para investimento, e a equilibrada gestão do capital de giro”. Dentro destas iniciativas, destaque para as inaugurações de novas unidades alinhadas ao seu novo conceito de “loja ideal”, que traz um amplo sortimento de produtos e serviços (inclusive cafeterias), cujos investimentos tem sido, em média, 25% inferiores ao modelo anterior, além do encerramento de unidades que apresentem “baixa perspectiva de valor”.


A companhia tem buscado renegociar os prazos com seus fornecedores e bancos o que, conjuntamente com evolução do cenário competitivo, especialmente no meio eletrônico, traz desafios adicionais em seus resultados. Por outro lado, este mesmo cenário competitivo cria condições para que a companhia siga se reinventando buscando a captura de oportunidades tanto no ambiente E-Commerce quanto no desenvolvimento de suas “lojas-conceitos” aproveitando o peso de sua marca no comércio de conteúdo.


Resta-nos aguardar como evoluíram as iniciativas adotadas no decorrer do 2T18 cujos resultados devem ser conhecidos no dia 14 de agosto.

Artigo elaborado para o portal Distribuindo Valor






Em atendimento a Instrução CVM nº 598, de 03 de maio de 2018



DECLARAÇÃO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

  • As análises apresentadas foram elaboradas por Carlos Soares, analista de valores mobiliários devidamente autorizado pela Apimec Nacional a exercer tal função (“Analista”) de forma autônoma conforme a Instrução CVM nº 598, de 03 de maio de 2018 ;
  • O Analista declara que as recomendações do relatório de análise refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, refletindo puramente seu ponto de vista. O Analista é um profissional independente e suas opiniões pessoais podem ser divergentes da opinião de outros analistas;
  • O Analista não se responsabiliza por nenhuma das operações que forem ou vierem a ser realizadas pelos Investidores e se exime de toda e qualquer responsabilidade por qualquer lucro ou prejuízos direto ou indireto que decorram da utilização de qualquer informação relativa às análises divulgadas. Cabe aos Investidores, exclusivamente, a decisão de adquirir ou alienar valores mobiliários ou contratos negociados em mercado de bolsa ou balcão e o eventual lucro ou prejuízo financeiro decorrente de tal decisão;
  • O Analista informará abaixo, nos termos da Instrução CVM 598/18, quaisquer situações que possam afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesses:

( ) O analista envolvido na elaboração do relatório possui vínculo com pessoa natural que trabalhe para o emissor objeto do relatório de análise, esclarecendo a natureza do vínculo


( x ) O analista envolvido na elaboração, seu cônjuge ou companheiro, está direta ou indiretamente, em nome próprio ou de terceiros, titular de valores mobiliários objeto do relatório de análise: CRFB3, DTEX3, RAPT4, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2025, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027 e Tesouro Selic 2023.


( ) O analista envolvido na elaboração, seu cônjuge ou companheiro, está direta ou indiretamente envolvido na aquisição, alienação ou intermediação dos valores mobiliários objeto do relatório de análise.


( ) O analista envolvido na elaboração, seu cônjuge ou companheiro, está direta ou indiretamente, qualquer interesse financeiro em relação ao emissor objeto do relatório de análise, exceto pelo disposto no parágrafo único do § 1º do art. 13 da Instrução CVM 598/18


( ) A remuneração do analista de valores mobiliários foi ou será, direta ou indiretamente, influenciada pelas receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela pessoa a que esteja vinculado.




sexta-feira, 20 de julho de 2018

Morning Call - 20/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Em meio aos temores de uma rodada das investidas de Donald Trump sobre comércio mundial, os ativos globais registraram uma sessão de perdas nesta quinta-feira (19). Em resposta às ameaças do governo norte-americano sobretaxar seu setor automotivo, a União Européia anunciou que poderá impor, em retaliação, barreiras sobre uma lista (não divulgada) de produtos dos EUA.

Por outro, mesmo com o cenário externo pressionando, os juros futuros recuaram forte com a ajuda dos leilões de Tesouro Selic e Tesouro Prefixados realizados pelo Tesouro Nacional, que somaram mais de R$ 20 bilhões, numa tentativa de conter os ânimos do mercados. Mas, conforme mencionado no Morning Call de ontem, "o quadro político deve começar a ganhar força no radar dos investidores e trazer mais volatilidade aos ativos locais". Neste caso a volatilidade veio a favor do mercado com os rumores de que o chamado "Centrão" (grupo de parlamentares que englobam uma lista de 13 partidos, formando maioria no Congresso Nacional) possa fechar apoio a candidatura de Geraldo Alckimin. Caso esta aliança se concretize, o mercado e os agentes econômicos tenderão a reagir positivamente, pois além do fortalecimento de um candidato reformista poderemos vislumbrar, caso vença o pleito de outubro, a possibilidade de um governo com uma maioria no Congresso com grandes chances de aprovar as reformas estruturantes tão necessárias para consolidar o crescimento sustentável do país.

Na agenda econômica destaque para a divulgação do IPCA-15 - considerado uma prévia da inflação oficial - que pelas expectativas do mercado pode ter apresentado um avanço de 0,75% no mês de julho, levando o acumulado em 12 meses a 4,64%, ligeiramente acima da meta oficial de 4,50%. Um resultado abaixo do esperado pode contribuir para o recuo das taxas de juros futuras negociadas na B3 e elevar as cotações, tanto de compra quanto de venda, dos títulos negociados no Tesouro Direto.

Mesmo com a melhora nas expectativas do quadro político/eleitoral, o momento segue de cautela, pois quaisquer revezes no cenário político pode desencadear uma forte correção dos ativos. Diante disso, bem como das incertezas externas, sigo mantendo cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto no momento.



Bom dia e bons negócios!










quinta-feira, 19 de julho de 2018

Morning Call - 19/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Em uma sessão marcada por um volume reduzido de negócios, os juros futuros encerraram próximos da estabilidade no pregão da B3. Em seu segundo depoimento aos congressistas norte-americanos, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, apenas confirmou a avaliação positiva em relação ao crescimento da atividade econômica do país. Por outro lado, no período da tarde, o Livro Bege também divulgado pelo Fed apresentou um quadro de preocupação dos empresários norte-americanos em relação aos impactos das tarifas impostas por Donald Trump sobre os produtos importados. Em regiões como o distrito da Filadélfia, por exemplo, as medidas têm causado a alta nos preços de suprimentos que em algum momento poderá ser repassada aos consumidores e pressionar a inflação na maior economia do planeta.

Outro ponto que tem chamado a atenção dos investidores globais tem sido o achatamento da curva de juros nos EUA. Em termos práticos o que isso significa para nós? A curva de juros demonstra as expectativas do mercado em relação a política monetária norte-americana (leia-se taxa de juros definida pelo Fed) para os próximos anos. Quando o mercado passa a vislumbrar um quadro recessivo (aumento do desemprego, queda na produção), as expectativas de juros para o longo prazo convergem para patamares inferiores aos esperados para daqui dois anos, por exemplo, devido à probabilidade do banco central norte-americano ter que promover estímulos que possam reativar a economia do país. Em um quadro de incertezas quanto ao crescimento da economia norte-americana (e mundial) os ativos emergentes tendem a ser penalizados. Por outro lado, na sessão desta quarta-feira (18) as taxas pagas pelos T-Notes de 10 anos (títulos públicos dos EUA com vencimento para daqui 10 anos) registraram uma pequena alta sendo cotados a 2,875% ao ano, o que na margem traz algum alívio aos emergentes.

Na agenda econômica desta quinta-feira destaque apenas para os pedidos iniciais por seguro-desemprego nos EUA às 9h30. No front local com a proximidade das eleições e a definição das chapas que disputarão a presidência do país, o quadro político deve começar a ganhar força no radar dos investidores e trazer mais volatilidade (oscilação dos preços) nos ativos locais.Diante disso, vale cautela em relação às modalidades indexadas ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto.

Bom dia e bons negócios!










quarta-feira, 18 de julho de 2018

Comentário de Resultados do 2T18 - Weg (WEGE3)



Por Carlos Soares, CNPI

Uma das maiores fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos do mundo, a catarinense Weg, divulgou seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2018 nesta quarta-feira. A combinação de melhora na conjuntura econômica, observada em outros setores, mesmo com a paralisação dos caminhoneiros em maio, juntamente com a participação de novos negócios como os voltados para energia solar, dos recém-adquiridos negócios de turbinas a vapor no Brasil e de transformadores nos EUA, resultaram no maior nível de receitas trimestral em seus quase 60 anos de história.


Já seu lucro líquido somou R$ 336 milhões no 2º trimestre de 2018 e, no acumulado do ano, totalizou R$ 621 milhões, com crescimento de, respectivamente, 23,6% e 17,3% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, a Weg registrou queda de margens em função basicamente pelos custos relativos a integração das novas unidades adquiridas no decorrer do último ano e que devem registrar melhora no decorrer dos próximos trimestres.


Vale destacar que mais da metade das receitas da companhia são provenientes do mercado externo, sendo cerca de 15% em dólares o que, na minha avaliação, pode considerá-la como sendo uma alternativa na Bolsa em um contexto de alta do dólar.


Os números apresentados pela companhia confirmam minha expectativa traçada no início deste ano e sigo vislumbrando que, com a volta da recuperação da economia, seus resultados apresentem melhora nos negócios voltados para o mercado interno, ainda de que maneira gradual, com destaque para indústrias ligadas ao consumo de eletroeletrônicos.


Para os produtos de ciclo longo, notadamente na reposição de equipamentos com a retomada dos investimentos, conforme observado nos leilões de geração de energia e de petróleo e gás, devem contribuir, juntamente com a evolução da carteira de pedidos com projetos em energia eólica, para os resultados da Cia. ao longo dos próximos anos. Vale pontuar que a companhia sentiu sinais de melhora no nível de investimentos de importantes indústrias como mineração e de papel e celulose, o que também reforça a perspectiva positiva em torno de suas receitas.


No mercado externo, apesar das incertezas com as disputas comerciais envolvendo as principais economias do planeta, os sinais de recuperação seguem consistentes, com perspectivas positivas para a entrada de pedidos de produtos de ciclo longo, principalmente em indústrias ligadas a óleo e gás, produção de papel e celulose, conforme informado pela companhia, além das perspectivas de maiores investimentos em infraestrutura nos EUA, neste caso confirmando minhas expectativas no início deste ano.


Diante disso, apesar das incertezas com o quadro político local e do comércio mundial, a companhia permanece com expectativas de seguir apresentando bons fundamentos nos próximos trimestres.



Em atendimento a Instrução CVM nº 598, de 03 de maio de 2018



DECLARAÇÃO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

  • As análises apresentadas foram elaboradas por Carlos Soares, analista de valores mobiliários devidamente autorizados pela Apimec Nacional a exercer tal função (“Analista”) de forma autônoma conforme a Instrução CVM nº 598, de 03 de maio de 2018 ;
  • O Analista declara que as recomendações do relatório de análise refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, refletindo puramente seu ponto de vista. O Analista é um profissional independente e suas opiniões pessoais podem ser divergentes da opinião de outros analistas;
  • O Analista não se responsabiliza por nenhuma das operações que forem ou vierem a ser realizadas pelos Investidores e se eximem de toda e qualquer responsabilidade por qualquer lucro ou prejuízos direto ou indireto que decorram da utilização de qualquer informação relativa às análises divulgadas. Cabe aos Investidores, exclusivamente, a decisão de adquirir ou alienar valores mobiliários ou contratos negociados em mercado de bolsa ou balcão e o eventual lucro ou prejuízo financeiro decorrente de tal decisão;
  • O Analista informará abaixo, nos termos da Instrução CVM 598/18, quaisquer situações que possam afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesses:

( ) Qualquer dos analistas envolvidos na elaboração do relatório possui vínculo com pessoa natural que trabalhe para o emissor objeto do relatório de análise, esclarecendo a natureza do vínculo


( x ) Qualquer dos analistas envolvidos na elaboração, seu cônjuge ou companheiro, está direta ou indiretamente, em nome próprio ou de terceiros, titular de valores mobiliários objeto do relatório de análise: CRFB3, DTEX3, RAPT4, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2025, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027 e Tesouro Selic 2023.


( ) Qualquer dos analistas envolvidos na elaboração, seu cônjuge ou companheiro, está direta ou indiretamente envolvido na aquisição, alienação ou intermediação dos valores mobiliários objeto do relatório de análise.


( ) Qualquer dos analistas envolvidos na elaboração, seu cônjuge ou companheiro, está direta ou indiretamente, qualquer interesse financeiro em relação ao emissor objeto do relatório de análise, exceto pelo disposto no parágrafo único do § 1º do art. 13 da Instrução CVM 598/18


( ) A remuneração do analista de valores mobiliários foi ou será, direta ou indiretamente, influenciada pelas receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela pessoa a que esteja vinculado.




Morning Call - 18/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Além de ter sido o destaque da agenda econômica desta terça-feira (vide o Morning Call de ontem), o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, foi o principal trigger (gatilho) para a melhora do humor dos mercados globais. Perante os senadores norte-americanos, Powell afirmou que a economia do país deverá ter pela frente vários anos de inflação baixa e um mercado de trabalho robusto, atenuando maiores preocupações acerca do ritmo de alta na taxa de juros. Vale ressaltar que uma alta mais intensa nos juros dos EUA teria o potencial de afugentar parte dos investidores de outros mercados, especialmente dos emergentes como nós, para títulos mais seguros como os Treasuries (equivalente ao Tesouro Direto norte-americanos), que neste caso também passariam a render mais.


Pegando carona com a melhora do humor global, os ativos locais registraram uma sessão de ganhos nesta terça-feira e os juros futuros negociados na B3 cederam (fecharam) ao longo de toda curva (em praticamente todos os vencimentos). Com o fechamento das taxas, os preços dos títulos do Tesouro Direto se valorizaram, especialmente nas modalidades prefixadas e os indexadas ao IPCA.


Na agenda econômica desta quarta-feira teremos mais um depoimento de Jerome Powell, desta vez junto aos deputados norte-americanos, também às 11:00, e mais tarde as atenções se voltam para a divulgação do Livro Bege, às 15:00, que apresentará um panorama das condições atuais da economia dos EUA. Ambos serão acompanhados de perto pelos investidores mundiais e podem ditar o ritmo dos negócios por aqui. Um discurso mais ameno do presidente do Fed pela manhã e a sinalização de que a economia norte-americana segue robusta no documento a ser divulgado a tarde podem contribuir para mais uma melhora dos mercados nesta quarta-feira (18).


Bom dia e bons negócios!










terça-feira, 17 de julho de 2018

Morning Call - 17/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

O mercado de juros futuros apresentou um comportamento distinto ao longo da curva (leia-se entre os diferentes prazos de vencimento) com as taxas recuando ("fechando", no jargão do mercado) nos vencimentos mais próximos (na "ponta mais curta"), até 2023, e subindo a partir daí (nos "vértices mais longos", usando a terminologia técnica).


O movimento coincide com a divulgação da prévia mais fraca, ainda que esperada, da atividade econômica do nosso país no mês de maio. Segundo divulgado pelo Banco Central, o IBC-Br - considerado uma proxy do Produto Interno Bruto (PIB), registrou queda de -3,34% em relação ao mês de abril, basicamente por conta dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros ocorrida em maio. Com um nível de atividade mais fraco os agentes de mercado acabam vislumbrando de taxa de juros baixas por um período mais prolongado para estimular a economia - ao menos é a leitura que se pode ter no curto prazo. Com o recuo das taxas de juros futuras, acabam se beneficiando os títulos públicos prefixados e indexados a inflação com prazo de vencimento mais curtos, preponderantemente até o ano de 2023, por conta da valorização no preço de venda, caso o investidor opte por resgatá-los antecipadamente.


Por outro lado as taxas mais longas acabaram seguindo de perto o cenário externo na última sessão. Os juros (yields) dos títulos norte-americanos registraram alta impulsionados pelos dados de vendas do varejo de junho divulgados na manhã desta segunda-feira (16) que, como bem ressaltado pela agência de notícias Reuters, apresentou o quinto mês consecutivo de crescimento e amenizou temporariamente as preocupações em torno das disputas comerciais entre os EUA e China. Juntamente com a alta dos Treasuries vale destacar que as incertezas relacionadas ao quadro fiscal brasileiro para os próximos anos e o cenário político/eleitoral também contribuem para o tom de cautela nos vencimentos mais longos.


Nesta terça-feira a agenda econômica traz como destaque o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell, às 11h00, que poderá sinalizar os próximos passos para o ritmo de alta da taxa de juros norte-americana.


Bom dia e bons negócios!










segunda-feira, 16 de julho de 2018

Morning Call - 16/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

A divulgação de dados de atividade e inflação nos últimos dias acabou dissipando, ao menos no curto prazo, os riscos de que o Banco Central dos EUA intensificasse o ritmo de alta na taxa de juros por lá. Na sexta-feira, os juros oferecidos pelos Treasuries de 10 anos (títulos públicos norte-americanos, equivalentes ao nosso Tesouro Direto) encerraram aos 2,829% ao ano e se distanciaram da barreira psicológica dos 3,0% observados em meados de maio e que vinha desencadeando a correção dos ativos emergentes. Dados de emprego, em especial os ganhos médios por hora trabalhada nos EUA divulgados no dia 06, ajudaram a mitigar quaisquer pressões sobre os preços na maior economia do planeta. Por falar em inflação, foi divulgada a inflação ao consumidor norte-americano do mês de junho na última quinta-feira (12) e que apresentou uma ligeira alta de 0,1% em relação ao mês de maio, ficando abaixo das expectativas que apontavam um ligeiro avanço de 0,2%. As expectativas são de que os preços sigam comportados, especialmente por conta da redução do sentimento do consumidor dos EUA, divulgado pela Universidade de Michigan, que atingiu o menor patamar em seis meses diante das preocupações dos consumidores norte-americanos em relação aos efeitos da guerra comercial promovida pelo presidente Donald Trump. Neste caso, consumidor cauteloso pode levar a queda das vendas o que pode fazer com que as empresas tenham menos espaço para elevar os preços e, portanto, levando a um quadro de menor inflação e menos pressão para a elevação da taxa de juros por lá.

Por aqui, mesmo com o quadro fiscal pressionando a dinâmica dos juros futuros, o cenário externo prevaleceu e fez com que estas taxas cedessem um pouco na sessão desta sexta-feira (13), o que contribuiu para a alta dos preços dos títulos indexados a inflação e prefixados ofertados no Tesouro Direto, em relação ao fechamento da semana anterior.

Com a perspectiva de manutenção da taxa Selic neste ano e de que seja elevada no próximo ano, mantenho cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto. No front externo, os recentes indicadores divulgados trouxeram algum alívio em relação às expectativas de alta da taxa de juros nos EUA, mas as tensões comerciais envolvendo os EUA e os demais países seguem apresentando um fator de risco no curto prazo.

Diante disso, para o investidor estreante ou pouco familiarizado com o mercado de financeiro vale a recomendação de fazer seus investimentos na modalidade pós fixada, que é a que mais se assemelha ao comportamento da caderneta de poupança, mas com ganhos superiores ao longo do tempo. Dentro do Tesouro Direto este investimento seria o Tesouro Selic 2023.

Para o investidor que busca capturar oportunidades, mesmo em um contexto de maior volatilidade recomendamos conhecer o relatório Mapa do Tesouro: Recomendações de Tesouro Direto.

Bom dia e bons negócios!