terça-feira, 28 de abril de 2026

Gerdau (GGBR4): Eficiência na América do Norte compensa cenário desafiador no Brasil no 1T26

Planta da Gerdau em Miguel Burnier
Fonte da imagem: Copilot

A Gerdau apresentou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), revelando uma dinâmica de "duas velocidades" entre suas principais operações. Enquanto o cenário doméstico no Brasil enfrenta ventos contrários devido à pressão das importações, a operação na América do Norte consolidou-se como o grande motor de rentabilidade do grupo, entregando um desempenho histórico.

América do Norte: O melhor 1T desde 2022

A divisão da América do Norte foi o grande destaque do trimestre, respondendo por 75% do EBITDA ajustado total da Gerdau. O resultado de R$ 2,5 bilhões (+88,1% YoY) marca o melhor primeiro trimestre para a região desde 2022, sustentado por uma combinação de demanda resiliente e eficiência operacional de excelência.

  • Novos Motores de Demanda: O consumo de aço nos EUA segue robusto e impulsionado por setores estratégicos. Destaca-se o crescimento acelerado de Data Centers, além de investimentos contínuos em infraestrutura e energia solar.
  • Backlog e Demanda: A demanda aparente permanece estável em patamares elevados e a companhia mantém um backlog (carteira de pedidos) sólido, o que garante visibilidade de resultados para os próximos períodos.
  • Fortalezas Regionais e Defesa Comercial: A operação beneficia-se de medidas de defesa comercial robustas (Sessão 232, vigentes desde o governo Biden e intensificadas no governo Trump), que protegem o mercado interno. Adicionalmente, a dinâmica global favoreceu a região: a perda de competitividade da Turquia frente à China elevou os preços internacionais, permitindo um nível de spread mais favorável na América do Norte.
  • Eficiência Máxima: Operando de forma muito enxuta, fruto do plano implementado a partir de 2018, a unidade reportou poucas paradas de manutenção ou imprevistos. A estratégia é clara: não serão construídas novas capacidades (greenfields), focando-se na rentabilidade dos ativos atuais.

Brasil: Pressão das Importações e Foco em Custos

No Brasil, a Receita Líquida recuou 16,3% YoY (R$ 6,2 bilhões), refletindo um ambiente de mercado mais complexo e competitivo.

  • Desafio das Importações: A entrada de aço importado (32% superior ao 4T25) criou uma sobreoferta que limitou a recuperação de preços, mesmo com a construção civil se mantendo como o principal motor de consumo de aços longos.
  • Recuperação de Margem: Apesar da queda anual, o EBITDA Brasil (R$ 578 milhões) subiu 13,3% face ao trimestre anterior (QoQ), beneficiado pela redução de custos após as paradas programadas de manutenção do final de 2025 e pelos esforços de produtividade.

Alocação de Capital e Transformação Estratégica

A gestão da Gerdau reafirmou sua disciplina financeira e uma visão transformadora para os próximos anos:

  • Redução de Capex: A projeção de investimentos para 2026 foi reafirmada em R$ 4,7 bilhões (contra os R$ 6 bilhões previstos anteriormente).
  • Projetos Estratégicos: O projeto de Miguel Burnier (MG) deve adicionar R$ 400 milhões ao EBITDA em 2026, com a administração priorizando a eficiência de longo prazo em detrimento da rapidez do ramp-up.
  • Otimização do Portfólio: A companhia sinalizou, para as operações no Brasil, uma postura de monetização de ativos imobiliários e minerários não utilizados, focando os investimentos apenas nas "usinas vencedoras" e revendo operações de baixa competitividade — uma estratégia que busca replicar o modelo de sucesso adotado no hemisfério norte.

Retorno ao Acionista e Solidez

Com uma alavancagem controlada de 0,74x Dívida Líquida/EBITDA, a Gerdau mantém um balanço sólido. No trimestre, aprovou a distribuição de R$ 354 milhões em dividendos (R$ 0,18 por ação) e investiu R$ 211 milhões em seu programa de recompra de ações, reforçando o compromisso com a geração de valor para o acionista.

Resumo dos Indicadores Financeiros (1T26)

Indicador 1T26 4T25 Var. QoQ 1T25 Var. YoY
Receita líquida (R$ milhões) 16.716 16.974 -1,5% 17.375 -3,8%
EBITDA ajustado (R$ milhões) 2.958 2.374 +24,6% 2.402 +23,2%
Margem EBITDA ajustada (%) 17,7% 14,0% +3,7 p.p 13,8% +3,9 p.p
Lucro líquido ajustado (R$ milhões) 1.013 670 +51,2% 758 +33,6%
Dívida líquida / EBITDA 0,74x 0,76x -0,02x 0,69x 0,04x
Fluxo de caixa livre (R$ mi) 16 1.411 -1.395 -1.252 +1.269

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