A Gerdau apresentou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), revelando uma dinâmica de "duas velocidades" entre suas principais operações. Enquanto o cenário doméstico no Brasil enfrenta ventos contrários devido à pressão das importações, a operação na América do Norte consolidou-se como o grande motor de rentabilidade do grupo, entregando um desempenho histórico.
América do Norte: O melhor 1T desde 2022
A divisão da América do Norte foi o grande destaque do trimestre, respondendo por 75% do EBITDA ajustado total da Gerdau. O resultado de R$ 2,5 bilhões (+88,1% YoY) marca o melhor primeiro trimestre para a região desde 2022, sustentado por uma combinação de demanda resiliente e eficiência operacional de excelência.
- Novos Motores de Demanda: O consumo de aço nos EUA segue robusto e impulsionado por setores estratégicos. Destaca-se o crescimento acelerado de Data Centers, além de investimentos contínuos em infraestrutura e energia solar.
- Backlog e Demanda: A demanda aparente permanece estável em patamares elevados e a companhia mantém um backlog (carteira de pedidos) sólido, o que garante visibilidade de resultados para os próximos períodos.
- Fortalezas Regionais e Defesa Comercial: A operação beneficia-se de medidas de defesa comercial robustas (Sessão 232, vigentes desde o governo Biden e intensificadas no governo Trump), que protegem o mercado interno. Adicionalmente, a dinâmica global favoreceu a região: a perda de competitividade da Turquia frente à China elevou os preços internacionais, permitindo um nível de spread mais favorável na América do Norte.
- Eficiência Máxima: Operando de forma muito enxuta, fruto do plano implementado a partir de 2018, a unidade reportou poucas paradas de manutenção ou imprevistos. A estratégia é clara: não serão construídas novas capacidades (greenfields), focando-se na rentabilidade dos ativos atuais.
Brasil: Pressão das Importações e Foco em Custos
No Brasil, a Receita Líquida recuou 16,3% YoY (R$ 6,2 bilhões), refletindo um ambiente de mercado mais complexo e competitivo.
- Desafio das Importações: A entrada de aço importado (32% superior ao 4T25) criou uma sobreoferta que limitou a recuperação de preços, mesmo com a construção civil se mantendo como o principal motor de consumo de aços longos.
- Recuperação de Margem: Apesar da queda anual, o EBITDA Brasil (R$ 578 milhões) subiu 13,3% face ao trimestre anterior (QoQ), beneficiado pela redução de custos após as paradas programadas de manutenção do final de 2025 e pelos esforços de produtividade.
Alocação de Capital e Transformação Estratégica
A gestão da Gerdau reafirmou sua disciplina financeira e uma visão transformadora para os próximos anos:
- Redução de Capex: A projeção de investimentos para 2026 foi reafirmada em R$ 4,7 bilhões (contra os R$ 6 bilhões previstos anteriormente).
- Projetos Estratégicos: O projeto de Miguel Burnier (MG) deve adicionar R$ 400 milhões ao EBITDA em 2026, com a administração priorizando a eficiência de longo prazo em detrimento da rapidez do ramp-up.
- Otimização do Portfólio: A companhia sinalizou, para as operações no Brasil, uma postura de monetização de ativos imobiliários e minerários não utilizados, focando os investimentos apenas nas "usinas vencedoras" e revendo operações de baixa competitividade — uma estratégia que busca replicar o modelo de sucesso adotado no hemisfério norte.
Retorno ao Acionista e Solidez
Com uma alavancagem controlada de 0,74x Dívida Líquida/EBITDA, a Gerdau mantém um balanço sólido. No trimestre, aprovou a distribuição de R$ 354 milhões em dividendos (R$ 0,18 por ação) e investiu R$ 211 milhões em seu programa de recompra de ações, reforçando o compromisso com a geração de valor para o acionista.
Resumo dos Indicadores Financeiros (1T26)
| Indicador | 1T26 | 4T25 | Var. QoQ | 1T25 | Var. YoY |
|---|---|---|---|---|---|
| Receita líquida (R$ milhões) | 16.716 | 16.974 | -1,5% | 17.375 | -3,8% |
| EBITDA ajustado (R$ milhões) | 2.958 | 2.374 | +24,6% | 2.402 | +23,2% |
| Margem EBITDA ajustada (%) | 17,7% | 14,0% | +3,7 p.p | 13,8% | +3,9 p.p |
| Lucro líquido ajustado (R$ milhões) | 1.013 | 670 | +51,2% | 758 | +33,6% |
| Dívida líquida / EBITDA | 0,74x | 0,76x | -0,02x | 0,69x | 0,04x |
| Fluxo de caixa livre (R$ mi) | 16 | 1.411 | -1.395 | -1.252 | +1.269 |
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