Já dizia Keynes:
“Quando um novo acréscimo no volume de demanda efetiva não mais produz aumento na produção e se traduz apenas numa alta da unidade de custos, em proporção exata ao aumento da demanda efetiva, teremos alcançado um estado que se pode adequadamente qualificar de verdadeira inflação”. (KEYNES, 1982, pág. 234).
No mês de janeiro o IPCA apresentou uma alta de 0,83%, atingindo 5,99% no acumulado dos últimos 12 meses e ameaçando o cumprimento da meta de inflação para 2011. Trata-se da maior alta desde o mês de abril de 2005, quando ficara em 0,87%, e a maior taxa para o mês de janeiro desde 2003, quando atingiu impressionantes 2,25%.
Os principais grupos que contribuíram para a alta no mês foram Transportes (+0,29%) e Alimentos (+0,27%).
Conforme podemos verificar no gráfico acima o grupo Alimentos vem apresentando um movimento de desaceleração desde o mês de novembro. De acordo com o IBGE, no mês de janeiro a região metropolitana do Rio de Janeiro foi a que “apresentou o maior resultado em decorrência das chuvas que afetaram as lavouras de importantes pólos produtores da região serrana”. (IBGE, pág. 08).
Espera-se que para o mês de fevereiro ainda tenhamos mais uma pressão nos preços dos Alimentos, Educação e Transportes – este último em decorrência dos reajustes dos trens metropolitanos e do metrô.
Diante da ameaça no cumprimento da meta inflacionária a presidente Dilma Roussef reforçou a necessidade de conter os gastos públicos e anunciou o corte de R$ 50 bilhões nas despesas previstas no Orçamento Geral da União de 2011. Ao cortar os gastos o governo reduz parte da demanda na economia, reduzindo a procura por produtos, contendo os repasses da alta nos preços aos produtos comercializados e contribuindo com o Banco Central no combate a inflação.
Referência bibliográfica
FOLHAONLINE. Tarifa do metrô e de trem sobe para R$ 2,90 no domingo em SP. Folha de São Paulo, São Paulo, 08/02/2011 - 20h06. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/872674-tarifa-do-metro-e-de-trem-sobe-para-r-290-no-domingo-em-sp.shtml
FREIRE, Vinicius Torres. O silêncio duvidoso de Dilma. Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 09 fev. 2011, página B4.
IBGE. Indicadores IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor. Jan/2011. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/ipca-inpc_201101caderno.pdf
INVESTIMENTOS E NOTÍCIAS. Governo anuncia corte de R$ 50 bilhões no Orçamento. Publicado em: 09 de Fevereiro de 2011 16:54. Disponível em: http://www.investimentosenoticias.com.br/ultimas-noticias/tempo-real/governo-anuncia-corte-de-rs-50-bilhoes-no-orcamento.html?utm_source=emailcampaign407&utm_medium=phpList&utm_content=HTMLemail&utm_campaign=Governo+anuncia+corte+de+R%24+50+bilh%F5es+no+Or%E7amento+
JENSEN, Juan; CURADO, Thiago. Com alta de alimentos, cenário para inflação é preocupante. Folha de São Paulo, São Paulo, 09 fev. 2011, página B4.
KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Tradução de Mário R. da Cruz; revisão técnica de Claudio Roberto Contador. – São Paulo: Atlas, 1982.
SOARES, Pedro; CRUZ, Valdo. Inflação de 0,83% é a maior para meses de janeiro desde 2003. Folha de São Paulo, São Paulo, 09 fev. 2011, página B4.
Econocratum: Uno a técnica do mercado à crítica econômica para analisar o fluxo de capital, os gargalos produtivos e o valor das empresas. Meus insights surgem de uma curadoria despretensiosa de livros e notícias. Defendo uma síntese entre liberalismo econômico e social-democracia, expressando livremente opiniões que buscam entender os reais impactos do capital na sociedade.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Mercado de Taxas de Juros: 04/02/2011
A curva de juros encerrou a última semana praticamente estável em relação a semana anterior devido a melhora nas expectativas de inflação para os próximos 12 meses e para 2012. Medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central (elevação dos juros e restrições ao crédito para o consumo) já começam a surtir efeitos no mercado de taxa de juros – conforme podemos verificar no gráfico a seguir.
No mês de dezembro o Banco Central anunciou medidas de restrição ao crédito para o consumo com prazos acima de 24 meses e também, de acordo com matéria publicada na Folha de São Paulo pela repórter Mariana Schreiber, retirou mais de R$ 65 bilhões em circulação da economia. Ao restringir a quantidade de moeda em circulação na economia o custo do dinheiro torna-se mais caro e como conseqüência verifica-se uma alta na taxa de juros cobrada aos consumidores. Ainda de acordo com o jornal Folha de São Paulo a taxa média de juros ao consumidor divulgada pelo Banco Central passou de 39% ao ano no mês de novembro para 45% no mês de janeiro.
A alta na taxa Selic ocorrida no dia 19 de janeiro já havia sido precificada na curva de juros de 28 de janeiro e, juntamente com as demais medidas macroprudenciais, tenderá a esfriar o consumo e conter as altas nos preços nos próximos meses.
Podemos verificar no gráfico abaixo que, apesar da piora nas expectativas de inflação em 2011, o mercado já espera uma melhora no cenário para os próximos 12 meses e para 2012.
A expectativa do Banco Itaú é de que o ritmo da economia brasileira caia de 7%, verificado em 2010, para 4% em 2011. As conseqüências dessa desaceleração da economia brasileira são: aumento no desemprego, queda no consumo e estabilização nos níveis de preços no país.
Portanto, a melhora nas expectativas de inflação para os próximos meses justifica a manutenção das taxas de juros na última semana em relação a semana anterior.
Referência bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
__________________. Focus – Relatório de Mercado.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
SCHREIBER, Mariana. Alta dos juros exige mais cautela com dívidas. Folha de São Paulo, São Paulo, 07 fev. 2011, página B7.
No mês de dezembro o Banco Central anunciou medidas de restrição ao crédito para o consumo com prazos acima de 24 meses e também, de acordo com matéria publicada na Folha de São Paulo pela repórter Mariana Schreiber, retirou mais de R$ 65 bilhões em circulação da economia. Ao restringir a quantidade de moeda em circulação na economia o custo do dinheiro torna-se mais caro e como conseqüência verifica-se uma alta na taxa de juros cobrada aos consumidores. Ainda de acordo com o jornal Folha de São Paulo a taxa média de juros ao consumidor divulgada pelo Banco Central passou de 39% ao ano no mês de novembro para 45% no mês de janeiro.
A alta na taxa Selic ocorrida no dia 19 de janeiro já havia sido precificada na curva de juros de 28 de janeiro e, juntamente com as demais medidas macroprudenciais, tenderá a esfriar o consumo e conter as altas nos preços nos próximos meses.
Podemos verificar no gráfico abaixo que, apesar da piora nas expectativas de inflação em 2011, o mercado já espera uma melhora no cenário para os próximos 12 meses e para 2012.
A expectativa do Banco Itaú é de que o ritmo da economia brasileira caia de 7%, verificado em 2010, para 4% em 2011. As conseqüências dessa desaceleração da economia brasileira são: aumento no desemprego, queda no consumo e estabilização nos níveis de preços no país.
Portanto, a melhora nas expectativas de inflação para os próximos meses justifica a manutenção das taxas de juros na última semana em relação a semana anterior.
Referência bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
__________________. Focus – Relatório de Mercado.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
SCHREIBER, Mariana. Alta dos juros exige mais cautela com dívidas. Folha de São Paulo, São Paulo, 07 fev. 2011, página B7.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Mercado de Taxas de Juros: 31/01/2011
A curva de juros futuros apresentou, na última semana, um aumento nos vértices (vencimentos) mais longos. Esse aumento pode ser explicado pelos seguintes fatores: adoção de uma postura mais branda do Copom em sua ata divulgada no último dia 27, incertezas em torno da política fiscal para os próximos meses e deterioração do cenário inflacionário.
Segundo Paulo Nepomuceno, estrategista da corretora Coinvalores, em matéria publicada no jornal Valor pela repórter Karin Sato, “o mercado entendeu, por meio da ata, que BC não vai subir tanto os juros no curto prazo, o que deve contaminar um pouco a inflação no longo prazo”. O temor do mercado é que as altas promovidas pelo Copom não sejam suficientes para conter o consumo, alimentando o aumento dos preços e forçando a autoridade monetária realizar apertos ainda maiores no longo prazo.
O descumprimento da meta de superávit primário – que é o volume economizado pelo governo para o pagamento dos juros da dívida pública – causou preocupações ao mercado acerca da expectativa de inflação para os próximos meses. Ao atingir um superávit primário de 2,78% em 2010, contra uma meta de 3,1%, o governo elevou o nível de incertezas quanto a sua capacidade de reduzir os gastos nos próximos meses. No entender dos agentes econômicos o aumento nos gastos do governo, que faz parte da demanda agregada de um país, pressiona a alta dos preços na economia e obriga a autoridade monetária elevar os juros para conter a inflação.
Além dos fatores mencionados acima, também contribuíram para a piora do cenário inflacionário a queda no desemprego e o aumento da renda no Brasil, a crise política no Egito – que vem trazendo ameaças ao escoamento da produção petrolífera do Oriente Médio - e a divulgação de indicadores favoráveis da economia norte americana – crescimento do PIB, aumento na renda e nos gastos em 2010 e a continuidade na recuperação da atividade manufatureira no mês de janeiro. Estes fatores, principalmente os dois últimos, pressionaram os preços das commodities na última semana e pioraram as perspectivas do cenário inflacionário para os próximos meses.
Podemos verificar no gráfico abaixo essa piora nas expectativas dos agentes de mercado ocorrida na última semana.
Portanto, a postura mais amena do Copom, sinalizada pela ata da última reunião, o aquecimento do mercado de trabalho e as incertezas em torno das medidas de contenção dos gastos do governo somados a crise política do Egito e aos indicadores de recuperação econômica norte americana corroeram as expectativas inflacionárias e das taxas de juros de longo prazo.
Referência bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
__________________. Focus – Relatório de Mercado.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp
__________________. Relatório de Inflação. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/?RELINF
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 21/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
FOLHA DE SÃO PAULO. PIB dos EUA cresce 3,2% no 4º trimestre, abaixo das previsões. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/867263-pib-dos-eua-cresce-32-no-4-trimestre-abaixo-das-previsoes.shtml. - Acessado em 28/01/2011 às 12:09.
_____________________. Governo central tem superavit de R$ 79 bi e bate meta em 2010. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/867247-governo-central-tem-superavit-de-r-79-bi-e-bate-meta-em-2010.shtml - Acessado em 28/01/2011 às 12:11.
KAISER, Emily. PIB dos EUA é surpreendentemente forte. Artigo publicado no Jornal Folha de São Paulo em 29/01/2011 – pág. B10.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
SATO, Karin. Mercado vê BC menos rígido na ata e DIs longos sobem. Valor, São Paulo, 27 jan. 2011.
Segundo Paulo Nepomuceno, estrategista da corretora Coinvalores, em matéria publicada no jornal Valor pela repórter Karin Sato, “o mercado entendeu, por meio da ata, que BC não vai subir tanto os juros no curto prazo, o que deve contaminar um pouco a inflação no longo prazo”. O temor do mercado é que as altas promovidas pelo Copom não sejam suficientes para conter o consumo, alimentando o aumento dos preços e forçando a autoridade monetária realizar apertos ainda maiores no longo prazo.
O descumprimento da meta de superávit primário – que é o volume economizado pelo governo para o pagamento dos juros da dívida pública – causou preocupações ao mercado acerca da expectativa de inflação para os próximos meses. Ao atingir um superávit primário de 2,78% em 2010, contra uma meta de 3,1%, o governo elevou o nível de incertezas quanto a sua capacidade de reduzir os gastos nos próximos meses. No entender dos agentes econômicos o aumento nos gastos do governo, que faz parte da demanda agregada de um país, pressiona a alta dos preços na economia e obriga a autoridade monetária elevar os juros para conter a inflação.
Além dos fatores mencionados acima, também contribuíram para a piora do cenário inflacionário a queda no desemprego e o aumento da renda no Brasil, a crise política no Egito – que vem trazendo ameaças ao escoamento da produção petrolífera do Oriente Médio - e a divulgação de indicadores favoráveis da economia norte americana – crescimento do PIB, aumento na renda e nos gastos em 2010 e a continuidade na recuperação da atividade manufatureira no mês de janeiro. Estes fatores, principalmente os dois últimos, pressionaram os preços das commodities na última semana e pioraram as perspectivas do cenário inflacionário para os próximos meses.
Podemos verificar no gráfico abaixo essa piora nas expectativas dos agentes de mercado ocorrida na última semana.
Portanto, a postura mais amena do Copom, sinalizada pela ata da última reunião, o aquecimento do mercado de trabalho e as incertezas em torno das medidas de contenção dos gastos do governo somados a crise política do Egito e aos indicadores de recuperação econômica norte americana corroeram as expectativas inflacionárias e das taxas de juros de longo prazo.
Referência bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
__________________. Focus – Relatório de Mercado.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp
__________________. Relatório de Inflação. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/?RELINF
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 21/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
FOLHA DE SÃO PAULO. PIB dos EUA cresce 3,2% no 4º trimestre, abaixo das previsões. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/867263-pib-dos-eua-cresce-32-no-4-trimestre-abaixo-das-previsoes.shtml. - Acessado em 28/01/2011 às 12:09.
_____________________. Governo central tem superavit de R$ 79 bi e bate meta em 2010. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/867247-governo-central-tem-superavit-de-r-79-bi-e-bate-meta-em-2010.shtml - Acessado em 28/01/2011 às 12:11.
KAISER, Emily. PIB dos EUA é surpreendentemente forte. Artigo publicado no Jornal Folha de São Paulo em 29/01/2011 – pág. B10.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
SATO, Karin. Mercado vê BC menos rígido na ata e DIs longos sobem. Valor, São Paulo, 27 jan. 2011.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Análise de Conjuntura: Emprego no Brasil - Dezembro/2010
Medidas de incentivo ao crédito, conceitualmente conhecido por expansão monetária, estimularam o consumo ao longo do ano, impulsionando a produção brasileira e favorecendo aumento do emprego no país. Segundo dados do IBGE a taxa média de desocupação no ano de 2010 foi de 6,7% e encerrou o mês de dezembro em 5,3% - a menor taxa desde 2002, quando teve início a atual metodologia de apuração. O rendimento médio cresceu 3,8% em 2010 - também atingindo níveis recordes.
Facilitando o crédito ao consumidor e ao empresariado - neste caso via BNDES - o consumo e a produção aumentaram e estimularam a procura por mão de obra e, como resultado, gerou a diminuição do nível de desemprego no país – conforme podemos verificar nos últimos anos demonstrado no gráfico abaixo:
Verifica-se que no mês de dezembro grande parte do contingente de pessoas ocupadas encontra-se alocada no setor de serviços. Outro destaque também foi, segundo Mendonça, a diminuição no número de trabalhadores nos serviços domésticos ao longo do ano.
Contudo, o consumo aquecido também vem permitindo que os custos com a elevação dos salários sejam repassados nos preços dos produtos. De acordo com a matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 27/01/2011: “a falta de mão de obra já faz muitos setores elevarem o preço de seus produtos e serviços em decorrência do aumento de custo provocado pela necessidade de pagar salários maiores para reter ou contratar profissionais”. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2011, pág. B14).
Portanto, uma expansão monetária tem como conseqüência reduzir a taxa corrente de desemprego, mas ao mesmo tempo – se mal dosada – pode provocar uma pressão inflacionária na economia via repasse dos aumentos salariais nos preços dos produtos e serviços. Diante da pressão inflacionária o Banco Central será forçado a utilizar os instrumentos de política monetária (por exemplo, o aumento nos juros e restrição no crédito) para convergir a inflação ao centro da meta, hoje estabelecida em 4,5% para os próximos dois anos.
Referência Bibliográfica
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BRADESCO. Boletim Diário Matinal. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
FOLHA DE SÃO PAULO. Falta de mão de obra pressiona os preços de produtos e serviços. Matéria publicada em 27/01/2011 pág. B14.
_______________________Desemprego cai a 5,3% e atinge menor marca desde 2002. Matéria publicada em 28/01/2011 pág. B8.
IBGE. Pesquisa Mensal de Emprego. Sala de Imprensa - Pesquisa Mensal de Emprego. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
MENDONÇA, Sérgio. Análise: É prematuro entoar o canto do pleno emprego e do apagão de mão de obra. Artigo publicado no Jornal Folha de São Paulo em 28/01/2011 pág. B8.
Facilitando o crédito ao consumidor e ao empresariado - neste caso via BNDES - o consumo e a produção aumentaram e estimularam a procura por mão de obra e, como resultado, gerou a diminuição do nível de desemprego no país – conforme podemos verificar nos últimos anos demonstrado no gráfico abaixo:
Verifica-se que no mês de dezembro grande parte do contingente de pessoas ocupadas encontra-se alocada no setor de serviços. Outro destaque também foi, segundo Mendonça, a diminuição no número de trabalhadores nos serviços domésticos ao longo do ano.
Contudo, o consumo aquecido também vem permitindo que os custos com a elevação dos salários sejam repassados nos preços dos produtos. De acordo com a matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 27/01/2011: “a falta de mão de obra já faz muitos setores elevarem o preço de seus produtos e serviços em decorrência do aumento de custo provocado pela necessidade de pagar salários maiores para reter ou contratar profissionais”. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2011, pág. B14).
Portanto, uma expansão monetária tem como conseqüência reduzir a taxa corrente de desemprego, mas ao mesmo tempo – se mal dosada – pode provocar uma pressão inflacionária na economia via repasse dos aumentos salariais nos preços dos produtos e serviços. Diante da pressão inflacionária o Banco Central será forçado a utilizar os instrumentos de política monetária (por exemplo, o aumento nos juros e restrição no crédito) para convergir a inflação ao centro da meta, hoje estabelecida em 4,5% para os próximos dois anos.
Referência Bibliográfica
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BRADESCO. Boletim Diário Matinal. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
FOLHA DE SÃO PAULO. Falta de mão de obra pressiona os preços de produtos e serviços. Matéria publicada em 27/01/2011 pág. B14.
_______________________Desemprego cai a 5,3% e atinge menor marca desde 2002. Matéria publicada em 28/01/2011 pág. B8.
IBGE. Pesquisa Mensal de Emprego. Sala de Imprensa - Pesquisa Mensal de Emprego. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
MENDONÇA, Sérgio. Análise: É prematuro entoar o canto do pleno emprego e do apagão de mão de obra. Artigo publicado no Jornal Folha de São Paulo em 28/01/2011 pág. B8.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Mercado de Taxas de Juros: 21/01/2011
As taxas de juros projetadas para os próximos meses permaneceram superiores aos patamares verificados no mês de dezembro, mas ficaram praticamente estáveis em relação a semana anterior. A piora do cenário inflacionário e a confirmação da elevação da taxa Selic pesaram para a continuidade dos juros nestes patamares.
De acordo com o Banco Central, a divulgação do Relatório de Inflação e a alta na expectativa do IPCA - que vem piorando nas últimas semanas - têm levado os agentes econômicos a apostar no processo de alta nas taxas de juros para os próximos meses. A elevação nas taxas de juros tem como resultado conter o aquecimento da atividade na economia e reduzir o consumo da população. Reduzindo o consumo a indústria se vê forçada a conter a alta dos preços – já pressionada pelos aumentos dos itens de alimentação, transportes e educação - como forma de manter suas vendas no mercado interno.
Contudo a decisão do Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central, COPOM, de elevar a taxa Selic para 11,25% manteve as expectativas estáveis em relação ao fechamento da semana anterior – conforme o gráfico a seguir. A autoridade monetária deixou claro em seu comunicado que não medirá esforços para conter o aumento dos preços na economia decorrente do cenário de crescimento na demanda superior ao da oferta. Para conter esse aumento inflacionário o banco central brasileiro se utilizará de instrumentos, como a elevação da taxa de juros, para frear o aquecimento do crédito e, conseqüentemente, a expansão na demanda interna.
De acordo com o Banco Central, o início do “processo de ajustes da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas” - comunicado divulgado após a reunião do COPOM. Espera-se que com esse processo de ajustes as taxas de juros futuras não sofram grandes alterações nas próximas semanas – conforme já observado na última semana.
Referência Bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
__________________. Focus – Relatório de Mercado.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp
__________________. Relatório de Inflação. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/?RELINF
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 21/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
De acordo com o Banco Central, a divulgação do Relatório de Inflação e a alta na expectativa do IPCA - que vem piorando nas últimas semanas - têm levado os agentes econômicos a apostar no processo de alta nas taxas de juros para os próximos meses. A elevação nas taxas de juros tem como resultado conter o aquecimento da atividade na economia e reduzir o consumo da população. Reduzindo o consumo a indústria se vê forçada a conter a alta dos preços – já pressionada pelos aumentos dos itens de alimentação, transportes e educação - como forma de manter suas vendas no mercado interno.
Contudo a decisão do Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central, COPOM, de elevar a taxa Selic para 11,25% manteve as expectativas estáveis em relação ao fechamento da semana anterior – conforme o gráfico a seguir. A autoridade monetária deixou claro em seu comunicado que não medirá esforços para conter o aumento dos preços na economia decorrente do cenário de crescimento na demanda superior ao da oferta. Para conter esse aumento inflacionário o banco central brasileiro se utilizará de instrumentos, como a elevação da taxa de juros, para frear o aquecimento do crédito e, conseqüentemente, a expansão na demanda interna.
De acordo com o Banco Central, o início do “processo de ajustes da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas” - comunicado divulgado após a reunião do COPOM. Espera-se que com esse processo de ajustes as taxas de juros futuras não sofram grandes alterações nas próximas semanas – conforme já observado na última semana.
Referência Bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
__________________. Focus – Relatório de Mercado.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp
__________________. Relatório de Inflação. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/?RELINF
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 21/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Mercado de Taxas de Juros: 14/01/2011
A estrutura a termo das taxas de juros, de acordo com Beto Veiga, “é uma demonstração gráfica de como o mercado está apreçando o risco”. O risco é aqui representado pelas expectativas do mercado em relação às taxas de juros que serão definidas pela autoridade monetária, Bacen, para os próximos meses. De acordo com a Circular nº 2792 do Bacen: “os vértices (prazos) em vigor para efeito de construção da estrutura a termo das taxas de juros prefixadas são os prazos de 1, 21, 42, 63, 126, 252, 504 e 756 dias úteis.”
Podemos verificar no gráfico abaixo que as curvas de juros apresentaram um deslocamento para cima indicando a possibilidade aumentos das taxas nos próximos meses. O aquecimento da economia e a alta na inflação ratificam as expectativas do mercado em torno de futuras elevações nos juros.
Segundo Carvalho o aumento na atividade “conduz a um nível de gasto e de renda maior que, por sua vez, aumenta a demanda por moeda na economia". (CARVALHO [et. al.], 2000, pág. 121) Esse aumento na demanda por moeda pressiona a alta da inflação na economia do país. Segundo Dornbusch&Fischer quando a demanda monetária se torna uma “fonte de instabilidade na economia” o Bacen “deve concentrar-se nas metas da taxa de juros (leia-se taxa selic)” (DORNBUSCH&FISCHER, 1991, pág. 490). Em outras palavras, o Bacen buscará elevar a taxa selic como forma de poder desestimular o consumo e nível de atividade para conter a alta dos preços.
Além da atividade econômica aquecida outro fator que vem pressionando a inflação no Brasil tem sido a alta dos preços do grupo Alimentação. Os preços dos alimentos começaram a sofrer sucessivos aumentos, principalmente, após o início do último trimestre de 2010 - em conseqüência dos movimentos especulativos nos contratos futuros destas commodities e dos problemas climáticos enfrentados pelos países produtores. Por ser um item essencial no consumo das famílias, a autoridade monetária buscará, por meio da elevação das taxas de juros, conter demanda dos demais itens, considerados de segunda necessidade, através da elevação das taxas de juros.
A elevação das taxas de juros em ambos os casos tende - via de regra - a desestimular o consumo, com o encarecimento do crédito, reduzindo o nível de atividade e renda do país. Com a desaceleração do aumento da renda nacional os preços dos bens considerados de segunda necessidade não serão pressionados; pois reprimindo a demanda agregada, já afetada pela alta dos preços dos alimentos, boa parte do consumo da população se concentrará nos bens considerados essenciais. Como resultado: a inflação, - hoje estimada em 5,47% para 2011, pelo boletim Focus -, poderá convergir para a meta oficial de 4,5% nos próximos dois anos.
Referência Bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
______________________. Focus – Relatório de Mercado de 14 de janeiro de 2011.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20110114.pdf - acesso feito em 17/01/2011 às 19h15.
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 17/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/ - acesso feito em 17/01/2011.
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
GARCIA, Marcio G. P. A Estrutura a Termo das Taxas de Juros. Rio de Janeiro: PUC-RJ. Disponível em: http://www.econ.puc-rio.br/Mgarcia/ - acesso feito em 17/01/2011 às 11h00.
O ESTADO DE SÃO PAULO. Alimentos atingem preço recorde, diz ONU. Publicado em 05/01/2011 às 17h03. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alimentos-atingem-preco-recorde-diz-onu,662453,0.htm – Acesso feito em 06/01/2011 às 11h45
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
TRICHES, Divanildo; CALDART, Wilson Luis. As teorias da estrutura a termo das taxas de juros da economia brasileira: uma análise da causalidade de setembro 1999 a setembro 2004. VIII Encontro de Economia da Região Sul - ANPEC SUL 2005.
VEIGA, Beto. O que é a Estrutura a Termo das Taxas de Juros. Disponível em: http://www.betoveiga.com/log/index.php/2010/05/o-que-ea-estrutura-a-termo-das-taxas-de-juros/ - acesso feito em 17/01/2011 às 14h30.
Podemos verificar no gráfico abaixo que as curvas de juros apresentaram um deslocamento para cima indicando a possibilidade aumentos das taxas nos próximos meses. O aquecimento da economia e a alta na inflação ratificam as expectativas do mercado em torno de futuras elevações nos juros.
Segundo Carvalho o aumento na atividade “conduz a um nível de gasto e de renda maior que, por sua vez, aumenta a demanda por moeda na economia". (CARVALHO [et. al.], 2000, pág. 121) Esse aumento na demanda por moeda pressiona a alta da inflação na economia do país. Segundo Dornbusch&Fischer quando a demanda monetária se torna uma “fonte de instabilidade na economia” o Bacen “deve concentrar-se nas metas da taxa de juros (leia-se taxa selic)” (DORNBUSCH&FISCHER, 1991, pág. 490). Em outras palavras, o Bacen buscará elevar a taxa selic como forma de poder desestimular o consumo e nível de atividade para conter a alta dos preços.
Além da atividade econômica aquecida outro fator que vem pressionando a inflação no Brasil tem sido a alta dos preços do grupo Alimentação. Os preços dos alimentos começaram a sofrer sucessivos aumentos, principalmente, após o início do último trimestre de 2010 - em conseqüência dos movimentos especulativos nos contratos futuros destas commodities e dos problemas climáticos enfrentados pelos países produtores. Por ser um item essencial no consumo das famílias, a autoridade monetária buscará, por meio da elevação das taxas de juros, conter demanda dos demais itens, considerados de segunda necessidade, através da elevação das taxas de juros.
A elevação das taxas de juros em ambos os casos tende - via de regra - a desestimular o consumo, com o encarecimento do crédito, reduzindo o nível de atividade e renda do país. Com a desaceleração do aumento da renda nacional os preços dos bens considerados de segunda necessidade não serão pressionados; pois reprimindo a demanda agregada, já afetada pela alta dos preços dos alimentos, boa parte do consumo da população se concentrará nos bens considerados essenciais. Como resultado: a inflação, - hoje estimada em 5,47% para 2011, pelo boletim Focus -, poderá convergir para a meta oficial de 4,5% nos próximos dois anos.
Referência Bibliográfica
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.
______________________. Focus – Relatório de Mercado de 14 de janeiro de 2011.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20110114.pdf - acesso feito em 17/01/2011 às 19h15.
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.
BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp
BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 17/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/ - acesso feito em 17/01/2011.
CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.
GARCIA, Marcio G. P. A Estrutura a Termo das Taxas de Juros. Rio de Janeiro: PUC-RJ. Disponível em: http://www.econ.puc-rio.br/Mgarcia/ - acesso feito em 17/01/2011 às 11h00.
O ESTADO DE SÃO PAULO. Alimentos atingem preço recorde, diz ONU. Publicado em 05/01/2011 às 17h03. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alimentos-atingem-preco-recorde-diz-onu,662453,0.htm – Acesso feito em 06/01/2011 às 11h45
MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
TRICHES, Divanildo; CALDART, Wilson Luis. As teorias da estrutura a termo das taxas de juros da economia brasileira: uma análise da causalidade de setembro 1999 a setembro 2004. VIII Encontro de Economia da Região Sul - ANPEC SUL 2005.
VEIGA, Beto. O que é a Estrutura a Termo das Taxas de Juros. Disponível em: http://www.betoveiga.com/log/index.php/2010/05/o-que-ea-estrutura-a-termo-das-taxas-de-juros/ - acesso feito em 17/01/2011 às 14h30.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Análise do IPCA do mês de dezembro de 2010
No mês de dezembro pode-se verificar ainda que o grupo alimentação continuou pressionando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alta nos preços dos alimentos retomada a partir do mês de setembro teve como causa os efeitos climáticos nos países produtores de commodities (produtos básicos) e o movimento especulativo nos contratos destes produtos nas principais bolsas de mercadorias e futuros. No acumulado de 2010 o IPCA encerrou com alta de 5,91%, ou seja, apenas 0,59% abaixo do limite máximo, de 6,5%, estabelecido pelo Banco Central Brasileiro.
Grande vilão nos últimos meses o grupo alimentação apresentou no mês de dezembro uma pequena desaceleração em relação ao verificado nos meses de outubro e novembro (alta de 0,30% contra, respectivamente, uma elevação de 0,43% e 0,51%).
Contudo a agricultura vem sofrendo os efeitos do fenômeno climático La Niña, - definido pelo Portal Piancó como sendo o fenômeno de resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, oposto ao El Niño, que produz chuvas acima da média no semiárido nordestino, e abaixo da média na região sul -, com a quebra da safra de soja na Argentina e queda na produção de leite no Rio Grande do Sul decorrente da estiagem sofrida na região.
Em contrapartida o grupo habitação sofrerá os efeitos dos aumentos dos estoques de etanol, início da safra de cana no mês de março e conseqüente queda nos preços do combustível. Estes fatores tendem a contribuir para a redução dos preços do subgrupo combustíveis e energia para os próximos meses.
Gastos com material escolar decorrente da volta às aulas e reajustes das tarifas dos serviços de transporte pressionarão, respectivamente, os preços dos grupos educação e transportes nos próximos dois meses.
Portanto, os próximos meses ainda prometem uma continuidade na alta do IPCA acumulado em virtude da pressão dos alimentos, que ainda persiste, e com os aumentos pontuais dos itens ligados a educação e transportes.
Referência Bibliográfica
AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Tarifas de Fornecimento de Energia Elétrica. Cadernos Temáticos ANEEL. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/arquivos/pdf/caderno4capa.pdf - acesso feito em 11/01/2011 às 16h00.
CARVALHO, Fernando J. Cardim de [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
FOLHA DE SÃO PAULO. Preço do álcool volta a subir e estoque tem folga. Caderno Mercado/Commodities – página B7 publicada em 11/01/2011.
_______________________. Preço de energia no mercado livre recua após chuvas. Caderno Mercado/Mercado Aberto – página B2 publicada em 11/01/2011.
_______________________. Seca reduz a produção de leite no RS. Caderno Mercado/Commodities – página B7 publicada em 11/01/2011.
IBGE
MAIA, Samantha. Demanda e produtividade influenciam reajuste das tarifas. Valor Econômico - 07/12/2010. Disponível em: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/7/demanda-e-produtividade-influenciam-reajuste-das-tarifas - acesso feito em 11/01/2011 às 16h05.
MURARO JR, Fernando. Argentina é peça-chave para o mercado da soja neste início de ano. Folha de São Paulo: Análise Safra. Artigo publicado em 11/01/2011 no Caderno Mercado – página B6.
O ESTADO DE SÃO PAULO. Alimentos atingem preço recorde, diz ONU. Publicado em 05/01/2011 às 17h03. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alimentos-atingem-preco-recorde-diz-onu,662453,0.htm – Acesso feito em 06/01/2011 às 11h45
PINDYCK, Robert S., RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia. Quinta Edição. – tradução e revisão técnica: Professor Euletério Prado. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ISBN: 85.87918-11-7.
PORTAL PIANCÓ. Fenômeno La Niña está em formação no Oceano Pacífico, sinal de bom inverno no semiárido em 2011. Disponível em: http://www.portalpianco.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=118:fenomeno-la-nina-esta-em-formacao-no-oceano-pacifico-sinal-de-bom-inverno-no-semiarido-em-2011&catid=36:noticiasgeral&Itemid=55
VARIAN, Hal R. Microeconomia: princípios básicos. Tradução da 2ª edição original de Luciane Melo. – Rio de Janeiro: Campus, 1994.
Grande vilão nos últimos meses o grupo alimentação apresentou no mês de dezembro uma pequena desaceleração em relação ao verificado nos meses de outubro e novembro (alta de 0,30% contra, respectivamente, uma elevação de 0,43% e 0,51%).
Contudo a agricultura vem sofrendo os efeitos do fenômeno climático La Niña, - definido pelo Portal Piancó como sendo o fenômeno de resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, oposto ao El Niño, que produz chuvas acima da média no semiárido nordestino, e abaixo da média na região sul -, com a quebra da safra de soja na Argentina e queda na produção de leite no Rio Grande do Sul decorrente da estiagem sofrida na região.
Em contrapartida o grupo habitação sofrerá os efeitos dos aumentos dos estoques de etanol, início da safra de cana no mês de março e conseqüente queda nos preços do combustível. Estes fatores tendem a contribuir para a redução dos preços do subgrupo combustíveis e energia para os próximos meses.
Gastos com material escolar decorrente da volta às aulas e reajustes das tarifas dos serviços de transporte pressionarão, respectivamente, os preços dos grupos educação e transportes nos próximos dois meses.
Portanto, os próximos meses ainda prometem uma continuidade na alta do IPCA acumulado em virtude da pressão dos alimentos, que ainda persiste, e com os aumentos pontuais dos itens ligados a educação e transportes.
Referência Bibliográfica
AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Tarifas de Fornecimento de Energia Elétrica. Cadernos Temáticos ANEEL. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/arquivos/pdf/caderno4capa.pdf - acesso feito em 11/01/2011 às 16h00.
CARVALHO, Fernando J. Cardim de [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.
FOLHA DE SÃO PAULO. Preço do álcool volta a subir e estoque tem folga. Caderno Mercado/Commodities – página B7 publicada em 11/01/2011.
_______________________. Preço de energia no mercado livre recua após chuvas. Caderno Mercado/Mercado Aberto – página B2 publicada em 11/01/2011.
_______________________. Seca reduz a produção de leite no RS. Caderno Mercado/Commodities – página B7 publicada em 11/01/2011.
IBGE
MAIA, Samantha. Demanda e produtividade influenciam reajuste das tarifas. Valor Econômico - 07/12/2010. Disponível em: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/7/demanda-e-produtividade-influenciam-reajuste-das-tarifas - acesso feito em 11/01/2011 às 16h05.
MURARO JR, Fernando. Argentina é peça-chave para o mercado da soja neste início de ano. Folha de São Paulo: Análise Safra. Artigo publicado em 11/01/2011 no Caderno Mercado – página B6.
O ESTADO DE SÃO PAULO. Alimentos atingem preço recorde, diz ONU. Publicado em 05/01/2011 às 17h03. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alimentos-atingem-preco-recorde-diz-onu,662453,0.htm – Acesso feito em 06/01/2011 às 11h45
PINDYCK, Robert S., RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia. Quinta Edição. – tradução e revisão técnica: Professor Euletério Prado. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ISBN: 85.87918-11-7.
PORTAL PIANCÓ. Fenômeno La Niña está em formação no Oceano Pacífico, sinal de bom inverno no semiárido em 2011. Disponível em: http://www.portalpianco.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=118:fenomeno-la-nina-esta-em-formacao-no-oceano-pacifico-sinal-de-bom-inverno-no-semiarido-em-2011&catid=36:noticiasgeral&Itemid=55
VARIAN, Hal R. Microeconomia: princípios básicos. Tradução da 2ª edição original de Luciane Melo. – Rio de Janeiro: Campus, 1994.
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