segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mercados de taxa de juros – 22/02/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

A piora nas expectativas de inflação para 2013, apuradas pela pesquisa Focus, fez com que as taxas futuras de juros subissem pelo segundo dia seguido.

Segundo projeções dos economistas ouvidos pelo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, será de 5,11 por cento em 2013. Na pesquisa anterior, a expectativa era de uma alta de 5,02 por cento para o próximo ano. Essa piora no resultado levou os investidores a apostarem que o Banco Central terá menos espaço para reduzir as taxas de juros e, diante disso, puxarem para cima todos os vértices da estrutura a termo.

Além disso, na mesma pesquisa, tivemos a divulgação do dado que o mercado acredita ser a taxa neutra de juros. Segundo os economistas, a taxa de juros que não traria riscos de inflação e permitiria um crescimento sustentável do país seria de 5,5 por cento – resultado acima dos atuais 4,3 por cento de juros reais de nossa economia.

Contudo, caso os preços voltem a se desacelerar nos próximos meses, a taxa de juros reais poderão convergir para a taxa neutra de juros e abrirá espaço para maiores cortes na Selic.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mercados de taxa de juros – 17/02/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

Os juros futuros registram na manhã de hoje a mínimas históricas nos contratos mais negociados após a divulgação dos dados de inflação pela FGV e pelo IBGE.

Apesar da alta do grupo Educação, o IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,53 por cento e contribuiu para a queda das taxas de juros no dia de hoje. O grupo que mais contribuiu para a desaceleração dos preços neste mês foi o de Alimentação que depois de registrar alta de 1,25 por cento de alta em janeiro, registrou, em fevereiro, alta de apenas 0,29 por cento.

Mais cedo a Fundação Getúlio Vargas divulgou a segunda prévia de fevereiro do IGP-M que registrou deflação de 0,11 por cento. O resultado veio abaixo das expectativas dos analistas consultados pela Bloomberg que esperavam por uma deflação de apenas 0,02 por cento.


Também tivemos como destaque da agenda econômica local na manhã de hoje a divulgação do desemprego no país que registrou a marca de 5,5 por cento no mês de janeiro. O resultado é o menor para o mês e a tendência é de que com as medidas macroprudenciais possamos ter mais recuo da taxa para os próximos meses.

Ontem as taxas recuaram impactadas, principalmente, pelo bom resultado do IPC-S e do IPC-Fipe.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mercados de taxa de juros – 16/02/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

Os juros futuros registram na manhã de hoje mais um dia de baixa devido ao adiamento da ajuda à Grécia e após a divulgação de indicadores de preços e atividade da economia brasileira que desaceleraram em um ritmo acima do esperado.

O pacote de ajuda para a Grécia, previsto para ontem, foi adiado para 20 de fevereiro. Conforme já dito nos posts anteriores, o governo grego espera a liberação de € 130 bilhões para poder honrar o pagamento de uma parcela de sua dívida que vencerá em março.

O adiamento do pacote elevou o custo de captação dos bancos europeus e levou a agência de risco Moody’s informar que a nota de risco destas instituições poderão ser reduzidas.

No front interno tivemos a divulgação do IPC-S pela FGV, IPC Fipe de São Paulo e IBC-Br pelo Banco Central. Menos pressionado pelo grupo Educação o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) apresentou alta de 0,30 por cento na quadrissemana encerrada no dia 15 de fevereiro. O resultado veio abaixo das expectativas apuradas pela Bloomberg que era de uma alta de 0,38 por cento.


Também abaixo das expectativas vieram o IPC da Fipe e o IBC-Br. O Índice de Preços ao Consumidor de São Paulo registrou alta de 0,24 por cento até o dia 14 de fevereiro, contra uma expectativa de 0,28 por cento. Já o IBC-Br do Banco Central, que mede o crescimento da economia brasileira, registrou, em dezembro, alta de 1,47 por cento – abaixo dos 1,60 estimados pela pesquisa Bloomberg.

Após o anúncio do corte de R$ 55 bilhões no Orçamento os juros futuros voltaram a registrar mais um dia de baixa. Entretanto, a inclinação voltou a aumentar devido a alta dos vértices mais longos da curva que provavelmente já reflete a desconfiança do mercado em relação às expectativas futuras de inflação no longo prazo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mercados de taxa de juros – 15/02/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

O mercado de taxa de juros recua diante da divulgação do tão aguardado Orçamento de 2012 e também pelo bom resultado do IGP-10 divulgado hoje cedo pela Fundação Getúlio Vargas.

Às 14:30 os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, concederão entrevista para tratar da Programação Orçamentária e Financeira de 2012, ou seja, o Orçamento da União para este ano. Espera-se que os cortes venham na ordem de R$ 50 a R$ 70 bilhões, o que dará mais espaço para o Banco Central realizar novos cortes nas taxas de juros.

O Índice Geral de Preços – 10 de fevereiro divulgado hoje cedo pela Fundação Getúlio Vargas apresentou alta de 0,04 por cento e surpreendeu o mercado que esperava, de acordo com a pesquisa Bloomberg, por uma alta de 0,14 por cento.

Nos negócios de ontem, mesmo com o ministro Guido Mantega desmentindo, prevaleceram as apostas queda dos juros diante das especulações de que o governo tomará medidas para elevar a tributação sobre as operações de renda fixa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mercados de taxa de juros – 14/02/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

Rumores de que o governo estuda aumentar a tributação das aplicações de renda fixa derrubaram as taxas de juros na sessão de hoje.

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o objetivo da medida é o de incentivar as aplicações em papéis pré-fixados ou atrelados à inflação. Acredita-se que o governo espera tornar mais eficazes as possíveis nos juros no futuro para conter o aumento da inflação.

Resta saber se num cenário de queda de juro, como o governo lidará com o aumento no fluxo de aportes para a caderneta de poupança?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mercados de taxa de juros – 13/02/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

Melhora no cenário externo após a aprovação das medidas de austeridade fiscal na Grécia e continuidade das projeções de inflação acima da meta elevaram os juros futuros na sessão de hoje.

A aprovação das medidas de austeridade na Grécia permitirá ao país receber a ajuda de cerca de € 130 bilhões que darão folga para quitar os € 14,5 bilhões em títulos que vencerão em 20 de março. Com isso, diminui um pouco as preocupações dos investidores quanto a um contágio da crise para outros países, pois um eventual calote grego fecharia o mercado de financiamento de dívidas para países como Portugal, Itália e Espanha.

Diante da melhora no humor dos investidores a tendência é de que tenhamos uma recuperação nos preços das commodities e um fator de pressão para a alta da inflação aqui no Brasil.

Por falar de inflação o mercado continua apostando num IPCA acima da meta para 2012. De acordo com o último boletim Focus, o mercado espera que a inflação fique em 5,29 por cento em 2012 e 5,00 por cento em 2013 – contra uma meta de 4,50 por cento. Vale ressaltar que o teto máximo da meta do governo é até 6,50 por cento.

Acredito que com a melhora do cenário externo e com as quebras nas safras devido aos problemas climáticos enfrentados no início deste ano, possamos ter algum repique inflacionário nos próximos meses que poderá levar ao aumento nos vértices mais longos das curvas de juros futuros.

Na sessão de sexta, apesar da alta apresentada no início do pregão, as taxas de juros fecharam em baixa nos vértices longos impactadas pela deflação registrada na primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado de fevereiro (IGP-M).


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Tecnologia no Lugar do Emprego Humano: Criação ou Destruição de Riqueza?


Por Carlos Soares Rodrigues,

“Aumentos na disponibilidade de recursos produtivos – o trabalho e o capital usados no produto de bens e serviços -, ..., ajudam para o aumento do PNB real.” (DORNBUSCH&FISCHER)

Em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, assinada pelo jornalista Felipe Gutierrez, no caderno Carreiras e Empregos, no dia 30 de outubro de 2011, temos a seguinte constatação: “ máquinas podem roubar empregos que exigem mais qualificação” e que estes avanços veem ocorrendo em intervalos cada vez menores.

Ainda segundo a matéria “há exemplos como o de softwares para o mercado financeiro” que veem substituindo a função de operadores da bolsa.

O aumento tecnológico, em substituição ao trabalho humano, pode contribuir para o crescimento do produto, leia-se da economia e riqueza de um país. Contudo, resta saber se de fato esse aumento no produto ser reverte ou não, de fato, em aumento na riqueza da população como um todo ou se ficará concentrado nas mãos de poucos?

Delfim Neto em sua célebre frase nos tempos de ministro dizia que “era preciso deixar o bolo crescer para depois distribuir”.

Certamente que um avanço tecnológico costuma destruir postos de trabalho, até então ocupados pelo capital humano, e cria um contingente de desempregados para esta função. Porém, esse contingente será forçado a se adaptar a nova realidade e a buscar por mais capacitação.

De fato avanço tecnológico é fruto dos esforços de pessoas empreendedoras que buscaram inovar seus negócios no intuito de oferecer produtos e serviços de qualidade com custo menor para seu consumidor final – categoria que, diga-se de passagem, eu e vocês nos incluímos.

Neste sentido o aumento no produto, ou da riqueza de um país, através do avanço tecnológico, não tende a ficar concentrado nas mãos de poucos, pois, ao passo que, bens e serviços vão ficando mais acessíveis e de melhor qualidade, todos nós acabamos usufruindo de um mesmo padrão de consumo, senão superior, sem a necessidade de se gastar mais por isso.

Mas como ficam as pessoas que perderam seu emprego? O que elas ganham com isso?

Como dito, essas pessoas serão forçadas a buscar maior capacitação diante da nova realidade. Isso os tornará profissionais mais qualificados e capazes de produzir mais riqueza com menos necessidade de capital, leia-se, maquinário. Mais qualificadas, as pessoas a tendência é que passem a ser melhor remuneradas e também consigam usufruir de um melhor padrão de vida.