quarta-feira, 10 de setembro de 2014

TESOURO DIRETO: MERCADO DE NTN-B – Aug 10th, 2014



Por Carlos Soares Rodrigues,

Se ontem o dia foi bom para as compras de NTN-B, hoje foi melhor ainda. Impactado novamente pela divulgação de uma pesquisa eleitoral, neste caso divulgada pelo Vox Populi e encomendada pela revista Carta Capital, o mercado reagiu negativamente ao cenário de melhora da candidata governista na corrida ao Planalto.

De acordo com o último levantamento, a candidata empataria tecnicamente com sua principal adversária no segundo turno – respectivamente, as candidatas apresentaram 41% e 42% das intenções de votos.

Cabe destacar que não foi apenas o mercado de renda fixa que sofreu os efeitos da pesquisa: PETR4 chegou a cair -4,0%, bolsa bateu -2,09% na mínima e dólar fechou com alta de +0,24%.

Voltando às NTN-Bs: os títulos com vencimento em 2035 (sem principal) e 2050 encerraram o dia cotados a 5,75% a.a. na venda no site do Tesouro Direto e apresentaram um Preço Unitário (PU) de, respectivamente, R$ 2.591,82 (aplicação mínima de R$ 259,18) e R$ 2.566,52 (R$ 256,65 de aplicação mínima).

Para a próxima sessão o mercado poderá apresentar novamente uma forte volatilidade devido a pesquisa Datafolha divulgada a pouco. Nela as candidatas também apresentaram empate técnico no segundo turno com a candidata do PSB apresentando 47% das intenções de voto e a do PT, 43%. De acordo com a notícia divulgada no site globo.com (link) “na semana passada, Marina vencia por 48% a 41%”.

Cabe lembrar que mais dois fatores poderão incrementar a volatilidade dos negócios nos próximos dias: piora na perspectiva da nota de crédito do Brasil no front interno e o referendo pela independência da Escócia, marcado para o dia 18, no front externo.


O momento agora é de realizar compras paliativas e ir montando posição nestes títulos, pois passadas as incertezas, as taxas tenderão a regredir e possibilitar ganhos interessantes aos investidores (alta nos respectivos Preços Unitários).

terça-feira, 9 de setembro de 2014

TESOURO DIRETO: MERCADO DE NTN-B – Sep 9th, 2014


Por Carlos Soares Rodrigues,

Configurando com sendo dentre as aplicações mais populares no mercado de renda fixa, as NTN-Bs, têm se mostrado como sendo uma interessante opção de investimento nos últimos meses. Para quem não está familiarizado ao assunto, se trata de um título emitido pelo Tesouro Nacional, pelo governo no linguajar leigo, que oferece ao investidor uma taxa de juros mais a variação da inflação, no caso do IPCA. Toda vez que essa taxa de juros sobe o preço desses títulos caem uma vez que o valor que adquirimos é dado, grosso modo, pelo fluxo de pagamentos (também chamado de cupom) trazidos a valor presente considerando a taxa de juros oferecida/praticada no momento de sua compra/venda.

Nos últimos dias essas taxas estavam apresentando um comportamento descendente dado, principalmente, ao cenário político doméstico que vinha apontando para uma mudança do atual modelo econômico decorrente da ascensão da candidata da oposição na corrida eleitoral.

Entretanto, ao longo do dia de hoje pode-se verificar que três fatores estão pesando nas expectativas dos investidores e, portanto, no cenário de taxa de juros destes títulos: a ligeira melhora da candidata governista nas pesquisas eleitorais (pesquisa CNT/MDA), a piora do cenário externo com as notícias, principalmente, relacionadas ao referendo escocês que ocorrerá dia 18 de setembro, e com a revisão da perspectiva de nota de crédito do Brasil para negativa divulgada pela agência de ratings Moody’s.

Todos estes fatores trouxeram alguma incerteza em relação ao cenário econômico doméstico e, com isso, ao aumento das taxas de juros.

As taxas praticadas e informadas no site do Tesouro Direto (às 16h45min) eram de 5,58% e 5,60% ao ano para os títulos com vencimentos em, respectivamente, 2035 (sem principal) e 2050 e Preço Unitário Dia (PU) de R$ 2.632,99 (com aplicação mínima a partir de R$ 526,69) e R$ 2.623,21 (com aplicação mínima a partir de R$ 524,64).

Conforme informado no site da Anbima (link) estes mesmos títulos apresentaram, respectivamente, no dia 01 de setembro, as seguintes taxas: 5,3956% e 5,4250% com Preço Unitário de R$ 2.683,73 (com aplicação mínima de R$ 536,75) e R$ 2.686,89 (com aplicação mínima de R$ 537,38).

Pelo que pode ser verificado, qualquer variação dessas taxas nos patamares em torno ou acima de 5,60% tem se apresentado como sendo bons pontos de entrada nestes papéis. Cabe lembrar que está previsto um “taxaço” dos preços de combustíveis e energia elétrica para o próximo ano. O aumento nestas tarifas pode provocar uma pressão na Selic e, em função disso, um aumento nas taxas das NTN-Bs.


Para um horizonte de dois anos este tipo de investimento se apresenta com sendo uma opção atraente, pois, além de remunerar o investidor e protege-lo contra a inflação, tem uma boa expectativa de ganhos com a queda na taxa Selic (cujas previsões vêm apresentando melhora nas últimas semanas conforme o acompanhamento do Banco Central). Portanto, o mercado de NTN-B para os vencimentos mais longos foi de compra no dia de hoje.

P.S [errata]: de acordo com o site do Tesouro Direto, a aplicação mínima permitida para cada título público é a partir de 0,1 título. Sendo assim os valores do dia 09 passam a ser de R$ 263,29 (NTN-B 2035) e R$ 262,32 (NTN-B 2050), e para o dia 01 de, respectivamente, R$ 268,37 e 268,68.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Cenário Macroeconômico Brasileiro - Janeiro/2013

Por Carlos Soares Rodrigues,

Dados divulgados nesta semana apontam para um mercado de trabalho robusto em nosso país. Contudo, ao olharmos mais a fundo outros indicadores econômicos, que irei demonstrar neste post, será mesmo que o emprego e a nossa economia está com toda essa robustez como nos apresenta este suposto baixo desemprego?

De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, a taxa de desemprego do Brasil encerrou 2012 em 4,6%  e está, a exemplo de dezembro de 2011, no menor nível da história, o que configura uma situação de pleno emprego no país.

 
Contudo, ao analisarmos os dados de geração de empregos formais divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), via pesquisa mensal do sistema CAGED, podemos verificar que o emprego sucumbe desde meados de 2010. No mês de dezembro tivemos o corte de mais de 496 mil postos de trabalho formais.



Outro importante indicador que não vem dando sinais de melhora é o de produção industrial. Juntamente com o indicador de empregos formais, a produção da indústria geral, com ajuste sazonal, vem apresentando queda desde 2010. Na margem, a atividade industrial dá sinais de estabilidade, mas ainda assim o cenário é preocupante e continuará prejudicando o nível de atividade econômica no país.



Apesar da piora no mês de novembro, o comércio varejista continua registrando, na margem, sinais de melhora desde meados de maio.



Favorecido pela retomada do fôlego do comércio, a atividade econômica apurada pelo Bacen também vem apresentando, na margem, uma ligeira melhora desde meados de outubro.



Com a indústria e o emprego formal ainda em dificuldade, poderemos ter uma piora nos indicadores de consumo e de atividade nos próximos meses. O ponto positivo é que o governo terá espaço para agir em prol da retomada da atividade econômica sem maiores riscos à inflação, pois, como podemos verificar, o emprego continua sendo um fator baixista para os preços domésticos.

De qualquer forma apesar da aparente melhora no mercado de trabalho brasileira, verificamos que a real situação de nossa economia não é tão confortável como se parece.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Cenário Macro e Taxa de Juros - 22/12/2012


 
 
Por Carlos Soares Rodrigues,
 
Apesar da alta no IBC-BR, indicador que antecede o Produto Interno Bruto (PIB), dar sinais de recuperação de que a economia brasileira esteja se recuperando, a curva de juros fechou ainda mais nos vencimentos mais curtos nesta semana.


Incertezas em relação ao cenário externo com o tão falado Fiscal Cliff (Abismo Fiscal) do orçamento norte americano contribuiu para a queda das taxas de juros curtas nesta semana.
 
 

 
Contudo, o Relatório Trimestral de Inflação divulgado na última quinta-feira, dia 20 de dezembro, não agradou o mercado e levou os juros mais longos a registrarem alta.

Também contribuiu para que os vértices longos se abrissem a queda no desemprego brasileiro medido pelo IBGE. Segundo dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Emprego, a taxa de desemprego brasileira ficou em 4,9% no mês de novembro de 2012.
Mesmo com o notável desempenho do emprego no Brasil, pelos dados do IBGE,não podemos nos esquecer de que a economia brasileira não vem apresentando a mesma performance. Ao analisarmos os números do Ministério do Trabalho em relação a geração de  empregos formais fica claro que o mercado de trabalho brasileiro não está tão sólido assim e vem apresentando piora desde meados de 2010, conforme gráfico abaixo.
 
 
Para a pesquisa do IBGE, considera-se desempregado o indivíduo que procura por emprego em um período superior a 30 dias. Quando o indivíduo desiste de procurar emprego, o mesmo deixa de fazer parte da população de desempregados.
 
 
Portanto, apesar do resultado divulgado pelo IBGE ter contribuído para a alta nas expectativas de juros no médio/longo prazo, gostaria de destacar neste post que, dadas as demais variáveis, arrisco-me a dizer que o fator emprego não trará grandes surpresas para o aumento na inflação nos próximos meses.
 
 
Baixa propensão a investir decorrente das sucessivas intervenções do governo nas concessões e o elevado comprometimento da renda das famílias frente aos créditos tomados nos últimos anos ainda poderão segurar um pouco mais a atividade econômica do país.
 
 
 



 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Economia e mercado de taxa de juros – 24/09/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

SÃO PAULO - 24 de setembro: China e Europa sobrepõem o indicador de preços e o aumento nas expectativas de inflação e taxa de juros no boletim Focus.

Reunidos no fim de semana, Merkel e Hollande não chegaram a um acordo em relação ao cronograma que dará inicio a uma supervisão conjunta do setor bancário europeu.

Com isso, o cenário para os preços das commodities é de baixa o que pressiona menos a alta nas taxas de juros aqui no Brasil.

Na Europa também tivemos a divulgação do indicador de clima empresarial alemão, IFO, que ficou em 101,4 – abaixo dos 102,5 estimados pelos analistas consultados pela Bloomberg e dos 102,3 registrados em agosto.

Ainda nesta semana teremos dados de confiança no continente.

Na China, de acordo com a Bloomberg – citando a pesquisa da CBB International, os industriais e varejistas chineses estão menos otimistas com as vendas em relação ao último levantamento realizado há 3 meses atrás e estão cortando empregos.

A noite, será divulgado o índice de antecedentes da economia asiática.

Nos EUA tivemos o nível de atividade medido pelo Fed Chicago de agosto, que ficou em -0,87 ante os -0,13 de julho, e o nível de atividade manufatureira Fed Dallas que ficou em -0,9 em setembro ante -1,6 de agosto. Na semana teremos a divulgação do PIB do país.

Aqui no Brasil o destaque da semana ficará para o relatório trimestral de inflação a ser divulgado pelo Banco Central na próxima quinta-feira.

Por outro lado tivemos na manhã de hoje a divulgação do IPC-S da quadrissemana encerrada no dia 22 de setembro que registrou alta de 0,53 por cento e veio acima do 0,49 por cento apurado no levantamento anterior. O item que mais puxou os preços foi o grupo Alimentação.

Portanto, a piora lá fora prevalece no mercado de juros no dia de hoje, tornando a alta nos preços praticamente sem efeito na sessão de hoje.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Economia e mercado de taxa de juros – 21/09/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

SÃO PAULO - 21 de setembro: O que parecia ser um motivo de preocupações para os próximos dias se tornou um alento para a sessão de hoje: talvez tenhamos o anuncio de um pacote de ajuda à Espanha na próxima semana.

De acordo com o jornal Financial Times as autoridades européias estão articulando um plano de resgate a economia espanhola, que consistirá na compra de bônus da dívida do país e que poderá ser divulgado já na próxima quinta-feira.

Com a agenda econômica fraca no dia de hoje, talvez tenhamos um discreto movimento de alta nas taxas futuras de juros no pregão da BM&F Bovespa. Também poderá refletir no mercado o resultado do IPCA-15 divulgado pelo IBGE ontem pela manhã que apontou para uma pressão inflacionária de Alimentos nos próximos meses.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Economia e mercado de taxa de juros – 20/09/2012


Por Carlos Soares Rodrigues,

SÃO PAULO - 20 de setembro: Com o exterior pesando os juros futuros apresentam queda na sessão de hoje.

Apesar do anúncio dos resultados de inflação com a alta no IPCA-15 e com o desemprego no Brasil atingindo 5,3%, dados de atividade industrial na China, atividade na Europa, emprego nos EUA e o imbróglio no acordo de resgate espanhol pesam no dia de hoje e estão fazendo com que as expectativas em torno do crescimento econômico mundial esfriem.

O PMI industrial chinês, medido pelo HSBC, ficou em 47,8 no mês de setembro e veio ligeiramente acima dos 47,6 registrados em agosto. O indicador, estando abaixo de 50,0 sinaliza queda na produção industrial e, segundo a agência de notícias Bloomberg, aponta o maior período de contração dos últimos 08 anos, ou seja, desde quando o indicador passou a ser apurado.

O PMI composto da região do Euro, indicador que mede o nível de atividade dos setores manufatureiro, de serviços e construção na Europa, ficou em 45,9 em setembro, abaixo dos 46,3 de agosto, e, a exemplo do PMI industrial chinês, também registra queda no nível de atividade no continente.

Os EUA registraram aumento no número de pedidos de seguro-desemprego que ficou em 382 mil – acima 375 mil estimados pelos analistas consultados pela Bloomberg.

O governo espanhol está tentando, segundo a agência de notícia Broadcast, minimizar as exigências de austeridade fiscal caso obtenha um resgate do fundo soberano europeu. Citando o jornal espanhol El País, a agência de notícias informa que o país tem interesse em utilizar uma parte dos recursos destinados aos bancos espanhóis para sanar seu déficit fiscal. Entretanto, um detalhamento do montante necessário para socorrer as instituições financeiras do país somente será divulgado na próxima semana.

Uma piora no cenário econômico mundial tende a contribuir com o arrefecimento da inflação e torna possível ao Banco Central brasileiro manter a meta Selic no nível atual. Com isso, apesar dos indicadores domésticos apontando alta na taxa de juros, o movimento de baixa do dia de hoje está fortemente vinculado a piora no cenário externo.

Tesouro Direto Hoje – 26/09/2025

Análise Tesouro Direto: Queda dos Juros e o Efeito Marcação a Mercado Tesouro ...