sexta-feira, 12 de setembro de 2014

TESOURO DIRETO: MERCADO DE NTN-B – Sep 12th, 2014


Por Carlos Soares Rodrigues,

Em mais um dia marcado pela volatilidade, o mercado de títulos públicos encerrou a semana com forte alta nas taxas praticadas no Tesouro Direto.

Impactadas novamente por uma pesquisa eleitoral, as taxas das NTN-Bs mais longas, vencimentos 2035, sem principal, e 2050, registraram os maiores níveis das últimas semanas e fecharam, respectivamente, em 5,89% e 5,90%. Com isso, os Preços Unitários (PUs) destes títulos ficaram cotados em R$ 2.544,17 e R$ 2.513,05 – queda de -3,2% e -3,83% em relação ao fechamento de ontem.

O resultado da pesquisa CNI/Ibope, juntamente com as demais pesquisas divulgadas ao longo desta semana, confirmou a recuperação da candidata governista à corrida presidencial. Além do crescimento das intenções de votos no primeiro turno, a pesquisa apontou um empate técnico com sua principal rival no segundo turno. Resultado para o mercado financeiro: pessimismo e movimento de fuga de capitais. 

O pessimismo não ficou apenas restrito ao mercado de renda fixa: também houve forte queda da bolsa (-2,42%) e a maior alta do dólar desde o mês de março (R$ 2,327).

Outro fator que contribuiu para entornar o caldo no dia de hoje veio do front externo com as expectativas em torno de um possível aumento no aperto monetário nos Estados Unidos. Os indicadores econômicos divulgados recentemente abriram espaço para que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, antecipe a alta de sua taxa de juros - atualmente estimada para ocorrer em meados do segundo semestre do ano que vem. Diante disso, como noticiado, foi verificada uma corrida para os títulos norte americanos de 10 anos, os mais negociados no mundo e que seguem a variação dessa taxa de juros.

Como venho dizendo nos últimos dias, estamos num momento de boas oportunidades de compra destes papéis; pois, a cada variação brusca nas taxas, como a verificada no dia de hoje, os preços ficam muito atraentes para a compra e permitirão bons ganhos nos próximos anos.

IBC-Br - Índice de Atividade Econômica do Banco Central – July 2014

Por Carlos Soares Rodrigues,

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central – IBC-Br  é um indicador de periodicidade mensal que busca, segundo próprio Banco Central do Brasil, “com as devidas adaptações, reproduzir o movimento do Produto Interno Bruto (PIB), e, desta forma, avaliar de forma mais ampla o ambiente macroeconômico do País” (BACEN).

O indicador de julho/14 divulgado pela autoridade monetária nesta manhã de sexta apresentou uma pequena melhora se comparada ao mês anterior. Essa leve recuperação em relação ao mês anterior se deve, principalmente, ao maior número de dias úteis ocorridos no mês de julho. Por outro lado, ao compararmos os resultados divulgados em relação aos respectivos anos anteriores podemos notar que a perda de vigor de nossa economia vem ocorrendo desde meados de Abril/13 – conforme o gráfico a seguir:


Alguns indicadores básicos que afetam o desempenho econômico corroboram a expectativa de baixo crescimento econômico para os próximos meses.

Dentre os indicadores, gostaria de destacar o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) e a geração de empregos formais, ambos divulgados mensalmente.

O ICEI é um indicador disponibilizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que mede o nível de confiança do empresariado de nosso país. Considerado um indicador de antecedente, o ICEI permite interpretar e “identificar (a) mudança de tendência na produção industrial, ou seja, (...) auxiliar na previsão do produto industrial e, por conseguinte, do PIB”. Seu resultado varia de 0 a 100 e os valores abaixo de 50 apontam falta de confiança dos empresários.

Como podemos observar no último levantamento da CNI, demonstrado no gráfico abaixo, os empresários estão pessimistas em relação ao ambiente de negócios de nosso país. Sendo assim, de acordo com a entidade e a teoria econômica, empresários menos confiantes tendem a reduzir investimentos e produção. Com isso os reflexos são queda no emprego e baixo crescimento econômico.

Diante da piora na confiança dos empresários podemos observar, no gráfico a seguir, a queda na geração de empregos formais (com registro em carteira para o leitor leigo) ocorrida no nosso país ao longo dos últimos anos, contrariando o discurso oficial. 

Embora a taxa oficial de desemprego esteja nos menores patamares da história recente (5,8% em agosto), a diferença metodológica não reflete a real geração de empregos no mercado de trabalho, ou seja, o emprego formal que é o que mais interessa ao trabalhador brasileiro. 

O resultado oficial de emprego considera o número de pessoas ocupadas com alguma remuneração, com registro em carteira ou não, por pelo menos 15 horas na semana em que o levantamento foi realizado, ou seja, um “bico” é considerado emprego na metodologia do IBGE.

Portanto, ponderadas as diferenças, verificamos que o mercado de trabalho não conseguiu se restabelecer após a eclosão da crise de 2008 – a recuperação de 2010 foi pontual e resultante de medidas macroprudenciais pontuais.


Enquanto as incertezas em relação a eficácia na condução da política econômica não se dissiparem, nosso país continuará apresentando um pífio desempenho com consequências claras sobre o nível de emprego, renda da população e, principalmente, bem estar da população.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

TESOURO DIRETO: MERCADO DE NTN-B – Aug 11th, 2014


Por Carlos Soares Rodrigues,

Na sessão de hoje, ao contrário do previsto no último post, a sessão foi mais tranquila devido a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e ao resultado da pesquisa eleitoral que, segundo alguns meios de comunicação (Infomoney e Valor), apresentou um cenário melhor para a candidata do PSB – de acordo com estes meios se esperava que a candidata governista superasse sua opositora no levantamento do Datafolha.

A ata do Copom divulgada na manhã desta quinta-feira reforçou a posição do colegiado pela manutenção da taxa Selic que avaliou um cenário inflacionário em patamar elevado, mas apresentando uma tendência de arrefecimento ou até mesmo se esgotando ao longo do “horizonte relevante para a política monetária”.

Deste modo as taxas das NTN-Bs mais longas recuaram para 5,6% (vencimento 2035 sem principal) e 5,63% (vencimento 2050). Como explicado nos posts anteriores, cai a taxa sobe o Preço Unitário (PU): o vencimento 2035 encerrou cotado a R$ 2.628,50 – ante os R$ 2.591,82 cotados ontem (+1,42%), e o vencimento 2050 fechou cotado a R$ 2.613,11 – ante os R$ 2.566,52 (+1,82%).

Além dos fatores citados ontem, “piora na perspectiva da nota de crédito do Brasil no front interno e o referendo pela independência da Escócia, marcado para o dia 18, no front externo”, me ocorreu no dia de hoje outro fato que tem sido muito especulado no mercado financeiro nas últimas semanas e que pode trazer alguma emoção nos próximos dias: a possibilidade de troca de candidato a presidência da republica por parte do Partido dos Trabalhadores (PT). De acordo com o TSE “a substituição de candidatos a cargos majoritários (presidente da República, governador e senador) por coligação ou partido político deve ser feita até 20 dias antes das eleições” (link). Portanto, como se tem especulado, temos a possibilidade do ex-presidente Lula sair candidato à presidência nestas eleições. O prazo se encerrará nesta segunda-feira, dia 15 de setembro.


Sendo assim, acredito que, dado ao cenário incerto nestes próximos dias, pelos eventos acima citados, teremos boas oportunidades de compra de títulos públicos no decorrer da próxima semana.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

TESOURO DIRETO: MERCADO DE NTN-B – Aug 10th, 2014



Por Carlos Soares Rodrigues,

Se ontem o dia foi bom para as compras de NTN-B, hoje foi melhor ainda. Impactado novamente pela divulgação de uma pesquisa eleitoral, neste caso divulgada pelo Vox Populi e encomendada pela revista Carta Capital, o mercado reagiu negativamente ao cenário de melhora da candidata governista na corrida ao Planalto.

De acordo com o último levantamento, a candidata empataria tecnicamente com sua principal adversária no segundo turno – respectivamente, as candidatas apresentaram 41% e 42% das intenções de votos.

Cabe destacar que não foi apenas o mercado de renda fixa que sofreu os efeitos da pesquisa: PETR4 chegou a cair -4,0%, bolsa bateu -2,09% na mínima e dólar fechou com alta de +0,24%.

Voltando às NTN-Bs: os títulos com vencimento em 2035 (sem principal) e 2050 encerraram o dia cotados a 5,75% a.a. na venda no site do Tesouro Direto e apresentaram um Preço Unitário (PU) de, respectivamente, R$ 2.591,82 (aplicação mínima de R$ 259,18) e R$ 2.566,52 (R$ 256,65 de aplicação mínima).

Para a próxima sessão o mercado poderá apresentar novamente uma forte volatilidade devido a pesquisa Datafolha divulgada a pouco. Nela as candidatas também apresentaram empate técnico no segundo turno com a candidata do PSB apresentando 47% das intenções de voto e a do PT, 43%. De acordo com a notícia divulgada no site globo.com (link) “na semana passada, Marina vencia por 48% a 41%”.

Cabe lembrar que mais dois fatores poderão incrementar a volatilidade dos negócios nos próximos dias: piora na perspectiva da nota de crédito do Brasil no front interno e o referendo pela independência da Escócia, marcado para o dia 18, no front externo.


O momento agora é de realizar compras paliativas e ir montando posição nestes títulos, pois passadas as incertezas, as taxas tenderão a regredir e possibilitar ganhos interessantes aos investidores (alta nos respectivos Preços Unitários).

terça-feira, 9 de setembro de 2014

TESOURO DIRETO: MERCADO DE NTN-B – Sep 9th, 2014


Por Carlos Soares Rodrigues,

Configurando com sendo dentre as aplicações mais populares no mercado de renda fixa, as NTN-Bs, têm se mostrado como sendo uma interessante opção de investimento nos últimos meses. Para quem não está familiarizado ao assunto, se trata de um título emitido pelo Tesouro Nacional, pelo governo no linguajar leigo, que oferece ao investidor uma taxa de juros mais a variação da inflação, no caso do IPCA. Toda vez que essa taxa de juros sobe o preço desses títulos caem uma vez que o valor que adquirimos é dado, grosso modo, pelo fluxo de pagamentos (também chamado de cupom) trazidos a valor presente considerando a taxa de juros oferecida/praticada no momento de sua compra/venda.

Nos últimos dias essas taxas estavam apresentando um comportamento descendente dado, principalmente, ao cenário político doméstico que vinha apontando para uma mudança do atual modelo econômico decorrente da ascensão da candidata da oposição na corrida eleitoral.

Entretanto, ao longo do dia de hoje pode-se verificar que três fatores estão pesando nas expectativas dos investidores e, portanto, no cenário de taxa de juros destes títulos: a ligeira melhora da candidata governista nas pesquisas eleitorais (pesquisa CNT/MDA), a piora do cenário externo com as notícias, principalmente, relacionadas ao referendo escocês que ocorrerá dia 18 de setembro, e com a revisão da perspectiva de nota de crédito do Brasil para negativa divulgada pela agência de ratings Moody’s.

Todos estes fatores trouxeram alguma incerteza em relação ao cenário econômico doméstico e, com isso, ao aumento das taxas de juros.

As taxas praticadas e informadas no site do Tesouro Direto (às 16h45min) eram de 5,58% e 5,60% ao ano para os títulos com vencimentos em, respectivamente, 2035 (sem principal) e 2050 e Preço Unitário Dia (PU) de R$ 2.632,99 (com aplicação mínima a partir de R$ 526,69) e R$ 2.623,21 (com aplicação mínima a partir de R$ 524,64).

Conforme informado no site da Anbima (link) estes mesmos títulos apresentaram, respectivamente, no dia 01 de setembro, as seguintes taxas: 5,3956% e 5,4250% com Preço Unitário de R$ 2.683,73 (com aplicação mínima de R$ 536,75) e R$ 2.686,89 (com aplicação mínima de R$ 537,38).

Pelo que pode ser verificado, qualquer variação dessas taxas nos patamares em torno ou acima de 5,60% tem se apresentado como sendo bons pontos de entrada nestes papéis. Cabe lembrar que está previsto um “taxaço” dos preços de combustíveis e energia elétrica para o próximo ano. O aumento nestas tarifas pode provocar uma pressão na Selic e, em função disso, um aumento nas taxas das NTN-Bs.


Para um horizonte de dois anos este tipo de investimento se apresenta com sendo uma opção atraente, pois, além de remunerar o investidor e protege-lo contra a inflação, tem uma boa expectativa de ganhos com a queda na taxa Selic (cujas previsões vêm apresentando melhora nas últimas semanas conforme o acompanhamento do Banco Central). Portanto, o mercado de NTN-B para os vencimentos mais longos foi de compra no dia de hoje.

P.S [errata]: de acordo com o site do Tesouro Direto, a aplicação mínima permitida para cada título público é a partir de 0,1 título. Sendo assim os valores do dia 09 passam a ser de R$ 263,29 (NTN-B 2035) e R$ 262,32 (NTN-B 2050), e para o dia 01 de, respectivamente, R$ 268,37 e 268,68.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Cenário Macroeconômico Brasileiro - Janeiro/2013

Por Carlos Soares Rodrigues,

Dados divulgados nesta semana apontam para um mercado de trabalho robusto em nosso país. Contudo, ao olharmos mais a fundo outros indicadores econômicos, que irei demonstrar neste post, será mesmo que o emprego e a nossa economia está com toda essa robustez como nos apresenta este suposto baixo desemprego?

De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, a taxa de desemprego do Brasil encerrou 2012 em 4,6%  e está, a exemplo de dezembro de 2011, no menor nível da história, o que configura uma situação de pleno emprego no país.

 
Contudo, ao analisarmos os dados de geração de empregos formais divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), via pesquisa mensal do sistema CAGED, podemos verificar que o emprego sucumbe desde meados de 2010. No mês de dezembro tivemos o corte de mais de 496 mil postos de trabalho formais.



Outro importante indicador que não vem dando sinais de melhora é o de produção industrial. Juntamente com o indicador de empregos formais, a produção da indústria geral, com ajuste sazonal, vem apresentando queda desde 2010. Na margem, a atividade industrial dá sinais de estabilidade, mas ainda assim o cenário é preocupante e continuará prejudicando o nível de atividade econômica no país.



Apesar da piora no mês de novembro, o comércio varejista continua registrando, na margem, sinais de melhora desde meados de maio.



Favorecido pela retomada do fôlego do comércio, a atividade econômica apurada pelo Bacen também vem apresentando, na margem, uma ligeira melhora desde meados de outubro.



Com a indústria e o emprego formal ainda em dificuldade, poderemos ter uma piora nos indicadores de consumo e de atividade nos próximos meses. O ponto positivo é que o governo terá espaço para agir em prol da retomada da atividade econômica sem maiores riscos à inflação, pois, como podemos verificar, o emprego continua sendo um fator baixista para os preços domésticos.

De qualquer forma apesar da aparente melhora no mercado de trabalho brasileira, verificamos que a real situação de nossa economia não é tão confortável como se parece.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Cenário Macro e Taxa de Juros - 22/12/2012


 
 
Por Carlos Soares Rodrigues,
 
Apesar da alta no IBC-BR, indicador que antecede o Produto Interno Bruto (PIB), dar sinais de recuperação de que a economia brasileira esteja se recuperando, a curva de juros fechou ainda mais nos vencimentos mais curtos nesta semana.


Incertezas em relação ao cenário externo com o tão falado Fiscal Cliff (Abismo Fiscal) do orçamento norte americano contribuiu para a queda das taxas de juros curtas nesta semana.
 
 

 
Contudo, o Relatório Trimestral de Inflação divulgado na última quinta-feira, dia 20 de dezembro, não agradou o mercado e levou os juros mais longos a registrarem alta.

Também contribuiu para que os vértices longos se abrissem a queda no desemprego brasileiro medido pelo IBGE. Segundo dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Emprego, a taxa de desemprego brasileira ficou em 4,9% no mês de novembro de 2012.
Mesmo com o notável desempenho do emprego no Brasil, pelos dados do IBGE,não podemos nos esquecer de que a economia brasileira não vem apresentando a mesma performance. Ao analisarmos os números do Ministério do Trabalho em relação a geração de  empregos formais fica claro que o mercado de trabalho brasileiro não está tão sólido assim e vem apresentando piora desde meados de 2010, conforme gráfico abaixo.
 
 
Para a pesquisa do IBGE, considera-se desempregado o indivíduo que procura por emprego em um período superior a 30 dias. Quando o indivíduo desiste de procurar emprego, o mesmo deixa de fazer parte da população de desempregados.
 
 
Portanto, apesar do resultado divulgado pelo IBGE ter contribuído para a alta nas expectativas de juros no médio/longo prazo, gostaria de destacar neste post que, dadas as demais variáveis, arrisco-me a dizer que o fator emprego não trará grandes surpresas para o aumento na inflação nos próximos meses.
 
 
Baixa propensão a investir decorrente das sucessivas intervenções do governo nas concessões e o elevado comprometimento da renda das famílias frente aos créditos tomados nos últimos anos ainda poderão segurar um pouco mais a atividade econômica do país.
 
 
 



 

 

 

 

 

 

 

 

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