
Por Carlos Soares, CNPI
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Às vésperas da divulgação do IPCA as taxas de juros futuras negociadas na Bolsa voltaram a registrar uma sessão de alta - e que tende a se repetir no decorrer dos próximos dias. O cenário político-eleitoral deve ganhar força ao longo das próximas semanas e as incertezas acerca do quadro fiscal para os próximo governo deve trazer mais prêmio ao longo de toda a curva de juros - leia-se pressão sobre os títulos prefixados e indexados a inflação. Vale destacar que o cenário externo também pesou nos rumos dos negócios nesta quinta-feira (05) com a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) que apresentou uma preocupação acerca dos impactos das tensões comerciais sobre a atividade econômica, o que adicionou mais incertezas no radar dos investidores. Além do jogo da seleção às 15:00 tivemos a divulgação do IPCA do mês de junho que registrou alta de 1,26%, praticamente em linha com as expectativas que apontavam um avanço de 1,28% em relação a maio, levando o acumulado em 12 meses para 4,39% - bem próximo da meta oficial de 4,5%. Lá fora as atenções se voltarão para os números oficiais do mercado de trabalho nos EUA (9h30) que, segundo estimativas, deve ter apresentado a criação de 200 mil novas vagas no mês de junho. Um detalhe importante nos dados do mercado de trabalho norte-americano será o rendimento médio por hora trabalhada cujas projeções apontam para um acréscimo de 0,3% em relação a maio e um avanço que pode chegar a 2,3% em relação ao mesmo período de 2017. Caso estes indicadores fiquem acima das expectativas, podemos esperar uma forte correção dos mercados com alta das taxas de juros futuras por aqui e queda nas cotações dos títulos públicos prefixados e indexados a inflação ofertados no Tesouro Direto. Por ora, os juros futuros operam em viés de alta, especialmente nos vértices (vencimentos) mais longos (distantes) e, diante disso, o tom de cautela deve ditar os negócios na sessão de hoje.

Em meio a um giro mais fraco nos mercados globais por conta do feriado nos EUA os juros futuros registraram uma sessão de baixa principalmente nos vértices (vencimentos) mais longos. Também contribuiu para o fechamento (recuo) das taxas na sessão desta quarta-feira (04) a percepção de que o Banco Central brasileiro esteja adotando uma postura mais 'hawkish' (mais dura, no jargão do mercado) no que tange ao controle da inflação no país. Por falar em inflação, também tivemos o anúncio pela Petrobrás de que o gás de cozinha terá um aumento médio de 4,4% a partir desta quinta-feira (05), ou seja, juntamente com o recente reajuste da conta de luz anunciado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que passou a vigorar na data de hoje. Resta saber se a inflação seguirá contida devido a elevada ociosidade da economia ou se os choques pontuais decorrentes da greve dos caminhoneiros, a alta do dólar e os reajustes dos preços administrados pressionarão os preços no país forçando o Banco Central antecipar a alta na taxa Selic. Segundo o último levantamento do relatório Focus, o mercado espera que a taxa básica de juros seja elevada a partir de maio de 2019. Já na sessão de hoje os destaques ficam para a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), às 15h00, e agora pela manhã (9h15) os dados de empregos do setor privado na maior economia do planeta, que devem ditar os rumos dos negócios nesta quinta-feira. Diante das incertezas que ainda permanecem no radar espero que tenhamos mais sessões de volatilidade no mercado de taxa de juros cujos impactos devem ser sentidos principalmente nos títulos indexados a inflação e prefixados ofertados no Tesouro Direto.
A bolsa de valores operava em alta nesta sexta-feira (01) diante da gradual normalização das atividades dos caminhoneiros e retomada do cotidiano das empresas e da população, mas o anúncio do pedido de demissão do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, voltou a azedar o humor dos investidores locais levando o Ibovespa ao território negativo. Além disso, os efeitos sobre a inflação e retomada da economia devem ser sentidos, ao menos no curto prazo, por conta da alta dos preços dos produtos decorrente do desabastecimento e das incertezas sobre as contas públicas com a perda de R$ 13,5 bilhões aos cofres públicos para compensar a redução de R$ 0,46 por litro do diesel, sem contrapartida no corte dos gastos do governo. Outro fator que deve trazer mais incertezas nos próximos meses foi a aprovação do retorno da tributação sobre os salários (folha de pagamentos) para 28 setores da economia, além da eliminação de incentivos fiscais para indústrias químicas e de refrigerantes e que deve seguir retirando ímpeto da frágil retomada da atividade econômica. Lá fora tivemos algum fôlego na abertura com a melhora do humor dos investidores globais. Tivemos o alívio no cenário político italiano e espanhol, mas principalmente os dados de emprego nos EUA, divulgados a pouco, animam os mercados nas principais bolsas mundiais. A taxa de desemprego nos EUA ficou em 3,8% no mês de maio – sendo a mais baixa desde o ano 2000 - e o ganho médio por hora trabalhada (o quanto o trabalhador norte americano recebe por hora) cresceu 0,3% em relação ao mês de abril, o que reforça a confiança acerca do vigor do ritmo de crescimento da atividade econômica do país. Mas vale ressaltar que o cenário de inflação norte-americano exige atenção e segue sendo observado com cautela pelos investidores.
Análise Tesouro Direto: Queda dos Juros e o Efeito Marcação a Mercado Tesouro ...