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Mesmo com a melhora do humor no exterior o mercado de juros futuros negociados na B3, balizadores do mercado de renda fixa, inclusive do Tesouro Direto, registrou uma sessão de alta nesta quinta-feira (12) diante do quadro fiscal mais desafiador que se desenha para o próximo ano. A aprovação da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO), que serve para determinar o quanto o governo deverá se planejar para gastar no próximo ano (o quanto pretende gastar será encaminhado em meados de agosto para a aprovação do Congresso), apresentou uma projeção de cortes dos gastos públicos aquém do esperado tornando ainda mais incerto o quadro de estabilidade do déficit públicos no decorrer dos próximos anos. Além de levar os investidores a atribuirem um prêmio maior (leia-se juros cobrados) à dívida soberana - títulos públicos ofertados pelo Tesouro Nacional para o financiamento dos gastos do governo, onde se incluem os títulos do Tesouro Direto - a deterioração das contas públicas também apresenta um componente inflacionário ao longo do tempo (como parte da demanda agregada) o que forçaria o Banco Central a elevar a taxa Selic - o que também justifica a alta dos juros futuros registrada na última sessão. Diante disso, os títulos prefixados e indexados a inflação disponibilizados no Tesouro Direto são os que mais sofrem dentro deste cenário, pois o preço obtido na compra ou venda é calculado a partir dos juros praticados no momento da negociação: quando os juros sobem a cotação cai ou vice versa.
Mantenho cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto, especialmente aqueles que com vencimento mais distante, que devem seguir sofrendo maiores variações nos preços por conta das incertezas domésticas seja pelo quadro fiscal incerto nos próximos anos ou pela corrida eleitoral se aproximando cada vez mais, bem como pelo cenário externo com as tensões comerciais envolvendo os EUA e China.
Confirmando meu cenário traçado nos últimos dias, o mercado de juros encerrou a sessão desta quarta-feira (11) em alta em meio aos temores de um recrudescimento da guerra comercial envolvendo os EUA e a China. Os impactos de uma guerra comercial envolvendo as duas potências pode ser desastroso para a retomada da economia mundial. Dentre os possíveis efeitos pode-se destacar a elevação de tarifas às importações de matérias-primas utilizadas na indústria cujos impactos poderão ser sentidos ao longo do tempo no custo de produção que poderão ser repassados nos preços finais destes produtos junto aos consumidores, ou seja, alta na inflação. Uma alta na inflação, notadamente nos EUA, forçaria o Banco Central norte americano (Federal Reserve) a intensificar o (já iniciado) processo de elevação da taxa de juros no país, o que tornaria os títulos de sua dívida soberana - equivalente ao Tesouro Direto deles, também conhecidos por Treasuries - mais atrativos em comparação aos investimentos em outros países. Além disso, a possibilidade de perda de mercado para alguns produtos norte-americanos, diante da retaliação chinesa em resposta às empreitadas de Trump, pode resultar na queda das vendas de setores da industria norte-americana forçando, portanto, a redução na produção local o que levaria ao círculo vicioso de demissões e queda na atividade econômica. Estas preocupações com o cenário externo mais incerto resultaram claramente num movimento global de migração de fluxos de investimentos dos investidores mundiais para ativos mais seguros, como os Treasuries - movimento também conhecido por "voo para a qualidade" ou "flight to quality", na sigla em inglês. Este movimento tem feito, desde o início do ano, com que a demanda por dólares resultasse na alta da divisa norte-americana em relação ao real (diga-se de passagem em relação a outras moedas emergentes também como o rand sul africano, peso mexicano, etc) puxando para cima os juros futuros negociados na Bolsa. Como dito nos últimos posts, estes juros servem de referência para os rendimentos e preços praticados nas negociações dos títulos negociados no Tesouro Direto.
Já na sessão desta quinta-feira (12), além das tensões comerciais envolvendo os EUA e a China, as atenções devem se voltar para a divulgação dos dados de inflação de junho nos EUA que será conhecido às 9h30 cujas expectativas projetam um avanço de 0,2% em relação ao mês de maio.
Diante disso, sigo vislumbrando cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto, especialmente aqueles que com vencimento mais distante, que devem sofrer maiores variações nos preços por conta das incertezas domésticas (vide Morning Call desta quarta-feira) e do cada vez mais desafiador cenário externo.
Mesmo que ainda distante de termos um céu de brigadeiro, o humor dos investidores registraram alguma melhora no início desta semana no mercado de juros futuros (DI futuro) negociados na Bolsa. Acompanhando a queda do dólar, estas taxas registraram forte baixa ao longo de toda curva, leia-se prazos de vencimentos, contribuindo para que os preços dos títulos públicos prefixados e indexados a inflação registrassem uma alta nos preços de venda no Tesouro Direto. Cabe lembrar que o rendimento do Tesouro Direto varia, principalmente nas modalidades prefixadas e indexadas ao IPCA, caso o investidor opte por resgatar seu investimento antes do vencimento. A variação do rendimento destes títulos está intrinsecamente ligada ao movimento das taxas de juros futuras negociadas na Bolsa que servem como parâmetro para os investidores negociarem os rendimentos (yields) no mercado de renda fixa.
Outro ponto ressaltado pela mídia nesta terça-feira (10) foi o fato da revisão das expectativas de crescimento da economia brasileira, apuradas pelo Banco Central, através da pesquisa semanal Focus, e pelo fato de que o cenário político segue inalterado, ou seja, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece fora da disputa eleitoral, confirmando, ao menos por ora, que a decisão de torná-lo inelegível continua valendo.
Contudo, sigo vislumbrando que apesar da elevada ociosidade da economia não descarto alguma reversão das expectativas em relação a projeção de inflação e taxa de juros no país. Fatores como: reajustes na energia elétrica, preços dos combustíveis e até mesmo a alta do dólar podem pressionar (se já não estão!) a inflação no decorrer dos próximos meses forçando ao já previsto aumento da taxa Selic no próximo ano. Diante disso, sigo com cautela em relação aos títulos indexados a inflação e prefixados, especialmente com vencimentos mais longos (distantes).
Os juros futuros seguiram devolvendo prêmio na última semana tendo o movimento sustentado pelos números de IPCA e 'payroll' dentro das expectativas na sessão desta sexta-feira. Mesmo registrando a maior alta para um mês de junho desde 1995, o IPCA avançou 1,26% em relação ao mês de maio e ficou ligeiramente abaixo das expectativas que apontavam para uma alta de 1,28%. Ainda surtindo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, a inflação de junho também foi pressionada pelo aumento da conta de luz, o que deve se repetir nos próximos levantamentos juntamente com os recentes reajustes no preço do gás de cozinha. Lá fora, os dados de emprego nos EUA ficaram praticamente em linha com as projeções ao somar 213 mil criações de vagas no mês de junho (est. 200 mil), mas o destaque ficou para o avanço de apenas 0,2% nos ganhos médios por hora trabalhada (est. 0,3%), o que afasta, por enquanto, quaisquer preocupações me relação a inflação no país e traz algum alívio em torno das expectativas em relação ao ritmo de alta na taxa de juros na maior economia do planeta. Por falar de inflação norte-americana, o destaque na agenda econômica ficará para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do mês de junho na quinta-feira, além do relatório Focus e do IGP-DI nesta segunda-feira (09), neste caso sem negociações por conta do feriado no Estado de São Paulo. Sigo vislumbrando que as incertezas ainda permanecem no radar e espero que tenhamos mais sessões de volatilidade no mercado de taxa de juros. Diante disso, vale cautela em relação aos títulos indexados a inflação e prefixados ofertados no Tesouro Direto.
Com a melhora marginal dos investidores globais, mesmo com as tensões comerciais envolvendo os EUA e a China, os ativos emergentes apresentaram alguma recuperação neste início de julho. Dados de emprego nos EUA e de inflação no Brasil, conforme será comentado no 'Morning Call' desta segunda-feira (09), também contribuíram para trazer alívio aos juros futuros por aqui. Mas neste contexto qual teria sido o rendimento do Tesouro Direto comparado com o rendimento da poupança hoje? Por conta da queda dos juros futuros (contratos de DI futuro) - em especial para os juros esperados a partir de 2023 - negociados na B3 (Bolsa), o rendimento, ou juros oferecidos, pelo Tesouro Direto Prefixado e do Tesouro Direto Indexado ao IPCA também recuaram levando a alta nos preços (cotações) dos mesmos nos últimos 30 dias. Na tabela abaixo apresento uma proxy , considerando os principais indicadores que medem o desempenho da renda fixa, simulando um investimento mensal no Tesouro Direto no período de 06/06 a 06/07/2018. Como podemos notar, os rendimentos, ao menos no período, superaram em muito o rendimento da poupança hoje. Destaco que também será apresentado no 'Morning Call' desta segunda-feira o que espero para o cenário de renda fixa para os próximos dias, cuja agenda econômica reserva a divulgação dos dados de inflação nos EUA com potencial para mexer no desempenho dos mercados globais.
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Às vésperas da divulgação do IPCA as taxas de juros futuras negociadas na Bolsa voltaram a registrar uma sessão de alta - e que tende a se repetir no decorrer dos próximos dias. O cenário político-eleitoral deve ganhar força ao longo das próximas semanas e as incertezas acerca do quadro fiscal para os próximo governo deve trazer mais prêmio ao longo de toda a curva de juros - leia-se pressão sobre os títulos prefixados e indexados a inflação. Vale destacar que o cenário externo também pesou nos rumos dos negócios nesta quinta-feira (05) com a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) que apresentou uma preocupação acerca dos impactos das tensões comerciais sobre a atividade econômica, o que adicionou mais incertezas no radar dos investidores. Além do jogo da seleção às 15:00 tivemos a divulgação do IPCA do mês de junho que registrou alta de 1,26%, praticamente em linha com as expectativas que apontavam um avanço de 1,28% em relação a maio, levando o acumulado em 12 meses para 4,39% - bem próximo da meta oficial de 4,5%. Lá fora as atenções se voltarão para os números oficiais do mercado de trabalho nos EUA (9h30) que, segundo estimativas, deve ter apresentado a criação de 200 mil novas vagas no mês de junho. Um detalhe importante nos dados do mercado de trabalho norte-americano será o rendimento médio por hora trabalhada cujas projeções apontam para um acréscimo de 0,3% em relação a maio e um avanço que pode chegar a 2,3% em relação ao mesmo período de 2017. Caso estes indicadores fiquem acima das expectativas, podemos esperar uma forte correção dos mercados com alta das taxas de juros futuras por aqui e queda nas cotações dos títulos públicos prefixados e indexados a inflação ofertados no Tesouro Direto. Por ora, os juros futuros operam em viés de alta, especialmente nos vértices (vencimentos) mais longos (distantes) e, diante disso, o tom de cautela deve ditar os negócios na sessão de hoje.
Em meio a um giro mais fraco nos mercados globais por conta do feriado nos EUA os juros futuros registraram uma sessão de baixa principalmente nos vértices (vencimentos) mais longos. Também contribuiu para o fechamento (recuo) das taxas na sessão desta quarta-feira (04) a percepção de que o Banco Central brasileiro esteja adotando uma postura mais 'hawkish' (mais dura, no jargão do mercado) no que tange ao controle da inflação no país. Por falar em inflação, também tivemos o anúncio pela Petrobrás de que o gás de cozinha terá um aumento médio de 4,4% a partir desta quinta-feira (05), ou seja, juntamente com o recente reajuste da conta de luz anunciado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que passou a vigorar na data de hoje. Resta saber se a inflação seguirá contida devido a elevada ociosidade da economia ou se os choques pontuais decorrentes da greve dos caminhoneiros, a alta do dólar e os reajustes dos preços administrados pressionarão os preços no país forçando o Banco Central antecipar a alta na taxa Selic. Segundo o último levantamento do relatório Focus, o mercado espera que a taxa básica de juros seja elevada a partir de maio de 2019. Já na sessão de hoje os destaques ficam para a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), às 15h00, e agora pela manhã (9h15) os dados de empregos do setor privado na maior economia do planeta, que devem ditar os rumos dos negócios nesta quinta-feira. Diante das incertezas que ainda permanecem no radar espero que tenhamos mais sessões de volatilidade no mercado de taxa de juros cujos impactos devem ser sentidos principalmente nos títulos indexados a inflação e prefixados ofertados no Tesouro Direto.
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