segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mercado de Taxas de Juros: 14/01/2011

A estrutura a termo das taxas de juros, de acordo com Beto Veiga, “é uma demonstração gráfica de como o mercado está apreçando o risco”. O risco é aqui representado pelas expectativas do mercado em relação às taxas de juros que serão definidas pela autoridade monetária, Bacen, para os próximos meses. De acordo com a Circular nº 2792 do Bacen: “os vértices (prazos) em vigor para efeito de construção da estrutura a termo das taxas de juros prefixadas são os prazos de 1, 21, 42, 63, 126, 252, 504 e 756 dias úteis.”

Podemos verificar no gráfico abaixo que as curvas de juros apresentaram um deslocamento para cima indicando a possibilidade aumentos das taxas nos próximos meses. O aquecimento da economia e a alta na inflação ratificam as expectativas do mercado em torno de futuras elevações nos juros.


Segundo Carvalho o aumento na atividade “conduz a um nível de gasto e de renda maior que, por sua vez, aumenta a demanda por moeda na economia". (CARVALHO [et. al.], 2000, pág. 121) Esse aumento na demanda por moeda pressiona a alta da inflação na economia do país. Segundo Dornbusch&Fischer quando a demanda monetária se torna uma “fonte de instabilidade na economia” o Bacen “deve concentrar-se nas metas da taxa de juros (leia-se taxa selic)” (DORNBUSCH&FISCHER, 1991, pág. 490). Em outras palavras, o Bacen buscará elevar a taxa selic como forma de poder desestimular o consumo e nível de atividade para conter a alta dos preços.

Além da atividade econômica aquecida outro fator que vem pressionando a inflação no Brasil tem sido a alta dos preços do grupo Alimentação. Os preços dos alimentos começaram a sofrer sucessivos aumentos, principalmente, após o início do último trimestre de 2010 - em conseqüência dos movimentos especulativos nos contratos futuros destas commodities e dos problemas climáticos enfrentados pelos países produtores. Por ser um item essencial no consumo das famílias, a autoridade monetária buscará, por meio da elevação das taxas de juros, conter demanda dos demais itens, considerados de segunda necessidade, através da elevação das taxas de juros.

A elevação das taxas de juros em ambos os casos tende - via de regra - a desestimular o consumo, com o encarecimento do crédito, reduzindo o nível de atividade e renda do país. Com a desaceleração do aumento da renda nacional os preços dos bens considerados de segunda necessidade não serão pressionados; pois reprimindo a demanda agregada, já afetada pela alta dos preços dos alimentos, boa parte do consumo da população se concentrará nos bens considerados essenciais. Como resultado: a inflação, - hoje estimada em 5,47% para 2011, pelo boletim Focus -, poderá convergir para a meta oficial de 4,5% nos próximos dois anos.

Referência Bibliográfica

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Nota Técnica sobre a Circular nº 2.972, de 23 de março de 2000.

______________________. Focus – Relatório de Mercado de 14 de janeiro de 2011.
Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20110114.pdf - acesso feito em 17/01/2011 às 19h15.

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education, 2004, 3ª edição.

BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. Taxas Referenciais BM&F. Disponível em: http://www2.bmf.com.br/pages/portal/portal/boletim1/TxRef1.asp

BRADESCO. Boletim Diário Matinal de 17/01/2011. Economia em Dia - disponível em: http://www.economiaemdia.com.br/ - acesso feito em 17/01/2011.

CARVALHO, Fernando J. Cardim de; [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.

DORNBUSCH, Rudiger, FISCHER, Stanley. Macroeconomia. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991.

GARCIA, Marcio G. P. A Estrutura a Termo das Taxas de Juros. Rio de Janeiro: PUC-RJ. Disponível em: http://www.econ.puc-rio.br/Mgarcia/ - acesso feito em 17/01/2011 às 11h00.

O ESTADO DE SÃO PAULO. Alimentos atingem preço recorde, diz ONU. Publicado em 05/01/2011 às 17h03. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alimentos-atingem-preco-recorde-diz-onu,662453,0.htm – Acesso feito em 06/01/2011 às 11h45

MANKIW, Gregory. Macroeconomia. 5ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2004.

TRICHES, Divanildo; CALDART, Wilson Luis. As teorias da estrutura a termo das taxas de juros da economia brasileira: uma análise da causalidade de setembro 1999 a setembro 2004. VIII Encontro de Economia da Região Sul - ANPEC SUL 2005.

VEIGA, Beto. O que é a Estrutura a Termo das Taxas de Juros. Disponível em: http://www.betoveiga.com/log/index.php/2010/05/o-que-ea-estrutura-a-termo-das-taxas-de-juros/ - acesso feito em 17/01/2011 às 14h30.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Análise do IPCA do mês de dezembro de 2010

No mês de dezembro pode-se verificar ainda que o grupo alimentação continuou pressionando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alta nos preços dos alimentos retomada a partir do mês de setembro teve como causa os efeitos climáticos nos países produtores de commodities (produtos básicos) e o movimento especulativo nos contratos destes produtos nas principais bolsas de mercadorias e futuros. No acumulado de 2010 o IPCA encerrou com alta de 5,91%, ou seja, apenas 0,59% abaixo do limite máximo, de 6,5%, estabelecido pelo Banco Central Brasileiro.


Grande vilão nos últimos meses o grupo alimentação apresentou no mês de dezembro uma pequena desaceleração em relação ao verificado nos meses de outubro e novembro (alta de 0,30% contra, respectivamente, uma elevação de 0,43% e 0,51%).


Contudo a agricultura vem sofrendo os efeitos do fenômeno climático La Niña, - definido pelo Portal Piancó como sendo o fenômeno de resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, oposto ao El Niño, que produz chuvas acima da média no semiárido nordestino, e abaixo da média na região sul -, com a quebra da safra de soja na Argentina e queda na produção de leite no Rio Grande do Sul decorrente da estiagem sofrida na região.

Em contrapartida o grupo habitação sofrerá os efeitos dos aumentos dos estoques de etanol, início da safra de cana no mês de março e conseqüente queda nos preços do combustível. Estes fatores tendem a contribuir para a redução dos preços do subgrupo combustíveis e energia para os próximos meses.

Gastos com material escolar decorrente da volta às aulas e reajustes das tarifas dos serviços de transporte pressionarão, respectivamente, os preços dos grupos educação e transportes nos próximos dois meses.

Portanto, os próximos meses ainda prometem uma continuidade na alta do IPCA acumulado em virtude da pressão dos alimentos, que ainda persiste, e com os aumentos pontuais dos itens ligados a educação e transportes.

Referência Bibliográfica


AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Tarifas de Fornecimento de Energia Elétrica. Cadernos Temáticos ANEEL. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/arquivos/pdf/caderno4capa.pdf - acesso feito em 11/01/2011 às 16h00.

CARVALHO, Fernando J. Cardim de [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.

FOLHA DE SÃO PAULO. Preço do álcool volta a subir e estoque tem folga. Caderno Mercado/Commodities – página B7 publicada em 11/01/2011.

_______________________. Preço de energia no mercado livre recua após chuvas. Caderno Mercado/Mercado Aberto – página B2 publicada em 11/01/2011.

_______________________. Seca reduz a produção de leite no RS. Caderno Mercado/Commodities – página B7 publicada em 11/01/2011.

IBGE

MAIA, Samantha. Demanda e produtividade influenciam reajuste das tarifas. Valor Econômico - 07/12/2010. Disponível em: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/12/7/demanda-e-produtividade-influenciam-reajuste-das-tarifas - acesso feito em 11/01/2011 às 16h05.

MURARO JR, Fernando. Argentina é peça-chave para o mercado da soja neste início de ano. Folha de São Paulo: Análise Safra. Artigo publicado em 11/01/2011 no Caderno Mercado – página B6.

O ESTADO DE SÃO PAULO. Alimentos atingem preço recorde, diz ONU. Publicado em 05/01/2011 às 17h03. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,alimentos-atingem-preco-recorde-diz-onu,662453,0.htm – Acesso feito em 06/01/2011 às 11h45

PINDYCK, Robert S., RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia. Quinta Edição. – tradução e revisão técnica: Professor Euletério Prado. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ISBN: 85.87918-11-7.

PORTAL PIANCÓ. Fenômeno La Niña está em formação no Oceano Pacífico, sinal de bom inverno no semiárido em 2011. Disponível em: http://www.portalpianco.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=118:fenomeno-la-nina-esta-em-formacao-no-oceano-pacifico-sinal-de-bom-inverno-no-semiarido-em-2011&catid=36:noticiasgeral&Itemid=55

VARIAN, Hal R. Microeconomia: princípios básicos. Tradução da 2ª edição original de Luciane Melo. – Rio de Janeiro: Campus, 1994.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Equilíbrio de Pareto e Desenvolvimento Social

O ótimo de Pareto é uma situação onde o bem-estar de um indivíduo é melhorado sem que ninguém seja prejudicado. Enquanto em uma sociedade existe “alguma forma de melhorar a situação de alguém sem prejudicar nenhuma outra pessoa” (VARIAN, 1994, pág. 16) há espaço para se buscar o equilíbrio de Pareto.

A redução na desigualdade social pode, ao longo do tempo, otimizar os ganhos das classes mais abastadas, pois o aumento de gastos dos menos favorecidos tendem a elevar os lucros das empresas, - onde parte da poupança da classe média/alta encontra-se alocada. Segundo artigo do professor Roberto Dagnino “nos últimos oito anos, 30 milhões de brasileiros excluídos que “ganharam o peixe” ajudaram a empurrar para cima o consumo e a produção”.

Para Keynes quanto maior for a propensão a consumir maiores serão os impactos sobre os investimentos e sobre o emprego, pois segundo o teórico “o emprego só pode aumentar pari passu (simultaneamente) com o investimento” (KEYNES, 1982, pág. 100). A elevação do emprego e renda agregada de um país permite que parte dos recursos despendidos, inicialmente, em programas sociais retorne na forma de aumento no recolhimento de impostos, - decorrente do aumento na atividade -, e ganhos das empresas com o lucro advindo das vendas no mercado interno.

O professor Dagnino afirma que “a erradicação da miséria fará emergir demandas materiais por bens e serviços com características e quantidade inusitadas”. O professor defende que dentro desse processo poderemos ter a inclusão da “participação de “usuários” até agora ausentes do cenário da produção de conhecimento”. Essa produção de conhecimento possibilitará, também, que nosso país desenvolva novas tecnologias e avanços na gestão do conhecimento, como, por exemplo, em gestão de negócios e medicina.

Ressalto que enquanto houver pobreza a economia não estará no equilíbrio de Pareto.

Portanto, como diria Varian, “se existe um modo de melhorar a situação de alguém sem piorar a de outrem, por que não fazê-lo?” (VARIAN, 1994, pág. 16).

Referência Bibliográfica

DAGNINO, Renato. Erradicação da miséria e tecnociência. Folha de São Paulo: artigo publicado em 06/01/2011, Caderno Opinião, página A3.

GIANBIAGI, Fabio, ALÉM, Ana Cláudia Duarte de. Finanças Públicas – Teoria e Prática no Brasil. 2ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.

KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Tradução de Mário R. da Cruz; revisão técnica de Claudio Roberto Contador. – São Paulo: Atlas, 1982.

PINDYCK, Robert S., RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia – Quinta Edição. – tradução e revisão técnica: Professor Euletério Prado. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ISBN: 85.87918-11-7.

SILVA, João Correia da. Teoria Econômica. Disponível em: http://www.fep.up.pt/docentes/joao/economictheory.htm - acesso feito em 05/01/2011 às 16h25.

VARIAN, Hal R. Microeconomia: princípios básicos. Rio de Janeiro: Campus, 1994.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Desindustrialização Brasileira?

Prezados leitores, feliz ano novo a todos!

Agradeço novamente pela visita ao meu blog e desejo-lhes que 2011 seja um ano repleto de muita saúde, realizações e alegria. Meus cumprimentos aos professores de economia da PUC-SP, - a quem sou profundamente grato pelos conhecimentos transmitidos ao longo dos anos que lá estive -, e aos professores de pós graduação do curso de Administração de Empresas da FGV Management cujos ensinamentos me deram o “caminho das pedras” para atingir meu sucesso profissional e pessoal daqui para frente. Parabenizo os professores Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo e Antonio Côrrea de Lacerda, - este a quem tive o orgulho de ser aluno na PUC -, pelos excelentes trabalhos publicados, respectivamente, na Revista Tempo do Mundo e Editora Saraiva. Parabenizo também o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da FIESP, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial e o jornal Folha de São Paulo pelos excelentes materiais disponibilizados na internet e que foram de fundamental importância para a preparação do presente estudo.

Desejo a todos uma excelente leitura.

Tudo o que é produzido no país e vendido ao exterior é definido por nós economistas como exportação.

Muitos especialistas afirmam que é saudável para o comércio exterior de uma nação ter sua pauta exportadora composta, principalmente, por bens industrializados (que chamarei no decorrer do texto por manufaturados) e com uma parcela menos significativa de produtos básicos (também chamados de commodities).

De acordo com o gráfico abaixo, a partir do mês de outubro, pela 1ª vez em cinco anos, o valor exportado dos produtos básicos superou o valor dos produtos manufaturados exportados no Brasil.


Mas afinal de contas será que esse movimento é motivo de preocupação quanto a qualidade das nossas exportações? Será que estamos deixando de “vender aviões” para “vender soja e açúcar”? Eis as questões cujas respostas você, prezado leitor, obterá ao final deste breve artigo.

Após a eclosão da crise em 2008 tivemos o enxugamento da liquidez na economia mundial. Os países desenvolvidos, que já vinham sofrendo com os desequilíbrios externos, foram obrigados a elevar seu endividamento para socorrer o combalido setor bancário. Segundo Belluzzo “os ditos emergentes tornaram-se provedores de funding para os mercados financeiros dos consumistas e dos deficitários crônicos” (BELLUZZO, 2010, pág. 120).

As medidas de socorro ao sistema bancário permitiram uma branda recuperação nas economias desenvolvidas, mas a crise deixou como seqüelas o elevado nível de desemprego e o alto endividamento destes países. Como conseqüência, o consumo nestes países caiu e afetou nossas exportações de produtos manufaturados.

Além do desemprego elevado os Estados Unidos também se viram diante da ameaça deflacionária, levando seu governo anunciar a injeção de US$ 600 bilhões no sistema bancário como forma de estimular o consumo das famílias. Contudo, boa parte dos recursos migrou para as economias emergentes, como o Brasil, e para os contratos de commodities negociados nas principais bolsas mundiais, - em busca de maiores taxas de retorno e causando a apreciação das moedas destes países.

A apreciação do real frente ao dólar encareceu os nossos produtos no mercado mundial e, ao mesmo tempo, barateou os produtos importados dentro do mercado brasileiro.

Segundo Lacerda “atividades de substituição de importações ou, muitas vezes, de exportações demandam, num primeiro momento, o aumento de importações de bens de capital” (LACERDA, 2004, pág. 103). De acordo com levantamento realizado pela FIESP foi verificado um considerável aumento das importações de bens de capital, ou máquinas e equipamentos, após o que eles definem “período da crise internacional”. Já o IEDI apurou que até o terceiro trimestre de 2010 a taxa de crescimento da produtividade industrial atingiu a maior cifra desde 2002 ao crescer cerca de 8,5% em relação ao mesmo período de 2009.


A queda no consumo dos países desenvolvidos e a alta nos preços das commodities contribuiu para o aumento da participação dos produtos básicos no valor total das exportações brasileiras.

Entretanto, acredito que o setor manufatureiro voltará ao posto principal da pauta exportadora brasileira em virtude de três fatores: modernização do parque industrial, - decorrente do barateamento das máquinas e equipamentos importados; aumento da produtividade e retomada do consumo nos países desenvolvidos com a superação da crise.

Agradeço pela atenção, parabenizo os autores citados na referência bibliográfica e desejo a todos um excelente 2011.

Muito obrigado!
Carlos Soares Rodrigues

Referência Bibliográfica

BELLUZZO, Luiz Gonzaga de Mello. A Crise Financeira Além da Finança. Revista Tempo do Mundo / Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. – v. 2, n. 1, (abr. 2010). – Brasília : Ipea, 2010.

FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. O Risco da Substituição da Produção Doméstica por Importações no Setor de Máquinas e Equipamentos. Estudos Econômicos DEPECON – Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos. Novembro/2010. Disponível em: http://www.fiesp.com.br/economia/pdf/nota_maquinas_e_equips_nov_10.pdf - acesso feito em 31/12/2010 às 11h05.

FOLHA DE SÃO PAULO. Governo eleva Imposto de Importação de brinquedos a 35% para combater chineses. Publicada em 28/12/2010 - 18h10. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/851994-governo-eleva-imposto-de-importacao-de-brinquedos-a-35-para-combater-chineses.shtml - acesso feito em 29/12/2010 – 15h37.

IEDI - Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Produtividade na Indústria no Terceiro Trimestre de 2010. Carta IEDI n. 448 - Publicado em 30/12/2010. Disponível em: http://www.iedi.org.br/cartas/carta_iedi_n_448_produtividade_na_industria_no_terceiro_trimestre_de_2010.html - acesso feito em 31/12/2010 às 11hh25.

LACERDA, Antonio Côrrea de. Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil. 2ª edição - São Paulo: Saraiva, 2004.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Análise do IPCA - Novembro de 2010

Prezado leitor, muito boa tarde.

Agradeço pela visita ao meu blog, onde irei abordar a evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), - cujos resultados são adotados oficialmente pelo Banco Central (Bacen) para o cumprimento da meta de inflação do país. Meus cumprimentos a todos os professores de economia da PUC-SP responsáveis pela minha formação acadêmica.
Desejo a todos uma boa leitura.

A alta nos preços ocorrida a partir do mês de setembro tem causado preocupações quanto ao cumprimento da meta estabelecida, de 4,5% ao ano, pelo Banco Central brasileiro. Esta alta poderá forçar a autoridade monetária elevar a taxa básica de juros, Selic, já no início do mandato da presidente eleita.
Mas por que a elevação nas taxas de juros poderá conter a alta dos preços no país?

Segundo a teoria econômica a elevação nas taxas de juros tende a tornar o crédito para os investimentos mais caros, inibindo novas contratações por parte das empresas e levando o consumidor reduzir seus gastos diante do temor da perda de emprego.

De acordo com o gráfico abaixo podemos verificar que a partir de setembro os preços voltaram a se distanciar da meta de inflação estabelecida pela autoridade monetária (Bacen), aumentando as especulações em torno da elevação das taxas de juros já no início do próximo ano com o objetivo de conter essa alta.




Contudo, vale ressaltar que a alta do IPCA está diretamente relacionada com a elevação dos preços do grupo Alimentação, - conforme demonstrado no gráfico abaixo. Esse aumento se deve, principalmente, pela alta dos preços das commodities no mercado internacional cujas cotações foram turbinadas pelo pacote de US$ 600 bilhões anunciado pelo governo norte americano.



Uma vez que a demanda por alimentos é inelástica, ou seja, “depende, em grande parte, de quantos substitutos esse bem tiver” (Varian, 1994, pág. 296), o aumento nas taxas de juros poderão impactar na demanda dos demais produtos como: vestuário, artigos de residência, despesas pessoais, etc. Estes bens, conforme observado no gráfico acima, têm causado pouco impacto na alta dos preços ao longo do ano.

Ressalto que elevações nas taxas de juros tendem a conter a alta nos preços desde que o aumento da inflação se dê por fatores internos como, por exemplo, superaquecimento do consumo e baixa capacidade da indústria atender a demanda. Entretanto estamos enfrentando um período em que a pressão inflacionária se deve, principalmente, pelo aumento nos preços dos alimentos decorrentes de fatores externos e cuja demanda é inelástica, ou seja, sua procura não depende de alterações dos preços e do nível de renda da população.

Agradeço a todos pela atenção, parabenizo a todos meus professores que, de certa forma, foram responsáveis por todo meu conhecimento adquirido ao longo destes anos, desejo a todos um excelente fim de ano e até a próxima.

Referência Bibliográfica

CARVALHO, Fernando J. Cardim de [et al.] Economia monetária e financeira: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 – 9ª reimpressão.

IBGE

PINDYCK, Robert S., RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia. Quinta Edição. – tradução e revisão técnica: Professor Euletério Prado. São Paulo: Prentice Hall, 2002. ISBN: 85.87918-11-7.

VARIAN, Hal R. Microeconomia: princípios básicos. Tradução da 2ª edição original de Luciane Melo. – Rio de Janeiro: Campus, 1994.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Crise à Grega

Prezado leitor,

Agradeço pelo acesso ao texto “Crise à Grega” e estendo meus cumprimentos a todos aqueles que colaboraram com as informações acerca da economia grega na internet. Parabenizo o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo pelo excelente texto “A Crise Financeira Além da Finança” publicado na Revista Tempo do Mundo edição do mês de abril de 2010. Agradeço também ao site do jornal O Globo pela publicação da notícia “Entenda a crise na Grécia” no dia 06/05/2010. Meus cumprimentos a todos os professores da Pontifícia Universidade Católica, responsáveis por toda minha formação acadêmica e, por fim, desejo-lhe uma boa e agradável leitura.

Segundo Keynes:

“o sistema bancário está sempre apto, em circunstâncias normais, a comprar (ou vender) títulos e obrigações em troca de moeda, oferecendo por eles um preço de mercado modestamente maior (ou menor); e quanto maior for a quantidade de recursos líquidos que os bancos desejam criar (ou cancelar) pela compra (ou venda) de títulos e dívidas, maior deverá ser a baixa (ou alta) na taxa de juros.” (Keynes, 1982, pág. 158)

Mas o que isso tem a ver com a crise enfrentada pelos países pejorativamente apelidados por PIIGS (acrônimo de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Spain)?

Eis uma questão cuja resposta você, prezado leitor, obterá ao final deste breve artigo.

Uma crise a grega

Após anos enfrentando sucessivos déficits orçamentários, que nada mais é do que a diferença entre o que um país gasta e o que foi arrecadado, o governo grego, a exemplo de outros países da união européia, atingiu no ano de 2009 a surpreendente taxa de 13,6% de toda sua riqueza, - também chamada pelos economistas como PIB (Produto Interno Bruto).

Para cobrir o rombo em suas contas o governo grego vinha recorrendo a empréstimos via emissão de títulos públicos, que até a eclosão da dívida nos Estados Unidos vinham sendo realizados a taxas atrativas no mercado financeiro mundial.

Contudo com o estouro da crise em setembro de 2008 o crédito mundial secou com o temor de novas perdas após a quebra do Lemman Brothers. Deste modo o governo grego, conforme preconizado por Keynes, se viu diante de um cenário em que os bancos não estavam dispostos a conceder novos créditos através da compra de títulos forçando o aumento das taxas de juros pelos papéis da dívida soberana grega.

Com os juros exorbitantes exigidos pelos investidores internacionais, a Grécia teve que recorrer a ajuda dos demais países da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca da promessa de realizar uma ampla reforma fiscal e orçamentária.

Com isso ressalto que, em virtude do descontrole nos gastos públicos e com os exorbitantes reajustes nos salários do funcionalismo público, o crescente e irresponsável endividamento público da Grécia, somado ao aumento da aversão ao risco dos investidores após o estouro da crise mundial, foram o estopim para a eclosão da crise grega.

Parabenizo a todos que de alguma forma contribuem com a discussão acadêmica em todos os meios de comunicação, agradeço a você leitor pela atenção e desejo-lhe muito sucesso em sua vida.

Cordialmente,
Econocratum

Referência bibliográfica

BELLUZZO, Luiz Gonzaga de Mello. A Crise Financeira Além da Finança. Revista tempo do mundo / Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada. – v. 1, n. 1, (dez. 2009). – Brasília : Ipea, 2009.

JORNAL O GLOBO. Entenda a Crise na Grécia. Publicada em 06/05/2010 às 17h55m

KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Tradução de Mário R. da Cruz; revisão técnica de Claudio Roberto Contador. – São Paulo: Atlas, 1982.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Surgimento da China Como Potência

Introdução
O presente trabalho tratará da questão do desenvolvimento chinês a partir de meados dos anos 70. Trata-se de um trabalho elaborado por meio de trechos de textos extraídos da Internet cujas referências constam na parte final do mesmo. Vale destacar que o desenvolvimento chinês se consolida após o reatamento das relações diplomáticas com os EUA em 1979 e posteriormente com o período marcado pela “endaka” - expressão japonesa para o período marcado pela valorização extraordinária do iene (especialmente entre 1985- 95) frente ao dólar - que direcionou os investimentos japoneses para o sudeste asiático. No início dos anos 90 o país passa a adotar uma ousada estratégia de liberalização em sua economia nunca antes vista e ao mesmo tempo mantém uma política cambial favorável às suas exportações. Nota-se neste período um aumento vertiginoso em suas reservas cambiais e em sua participação no comércio mundial. O país se torna então o maior credor do tesouro norte-americano o que lhe propicia um maior poder de barganha nas negociações bilaterais com os EUA.

Cenário econômico chinês
A crise estrutural vivida pelo sistema capitalista nos últimos 35 anos se deveu ao esgotamento do modelo keynesiano. Segundo RIBEIRO (1986) a crise dos anos 70 é explicada pelos liberais como sendo uma crise provocada pela expansão monetária por parte do Estado. Além disso, observa-se o fim do sistema de Bretton Woods. Kilsztajn (1989) aponta que em 1979 Wolcker decreta a “nova supremacia do dólar” e, no início dos anos 80, os Estados Unidos passaram a enfrentar a sua maior crise econômica no pós-guerra. Para Medeiros em 1979 observa-se também um reatamento das relações diplomáticas entre os EUA e a China, neste reatamento os EUA abre seu mercado para as exportações chinesas. Nesse contexto a China aproveitou o acordo para conter a ameaça soviética e para modernizar a economia. A partir disso a China passou a adotar um agressivo programa de exportações e de proteção do mercado interno. A estratégia chinesa consistiu estimular o investimento direto estrangeiro em associação às exportações das zonas econômicas especiais de modo a absorver e controlar o ingresso de capitais nas atividades exportadoras que viabilizasse a importação de máquinas e equipamentos necessários para a modernização de sue porque industrial. Ainda segundo o mesmo autor a expansão dada produtividade agrícola e dos investimentos em bens de consumo ocorrida no início dos anos 80 foi um fato decisivo para a aceleração da taxa de crescimento ao longo da década. À medida que a produtividade agrícola aumentava, a economia se abria e se modernizava. Em 1980, a China teve dos EUA o título de nação mais favorecida e foi classificada como nação em desenvolvimento. Esse acordo resultou na redução das tarifas americanas sobre os têxteis e vestuário chineses pela metade, vale dizer que já em 1979 o país já era o maior exportador “não regulado” de têxteis para os EUA. A expansão das exportações e o acesso ao crédito permitiam ao governo chinês implementar um programa maciço de importações de máquinas e equipamentos, essenciais à modernização da indústria pesada sem comprometer a expansão da indústria leve e a agricultura. A partir de 1986, as moedas dos países menos desenvolvidos da Ásia, incluindo, o yuan chinês, mantiveram-se depreciadas frente ao dólar e fortemente depreciadas frente ao iene. A reorganização da economia regional asiática a partir do deslocamento do capital produtivo japonês acelerou intensamente o investimento direto e o comércio regional. Com a valorização e com as pressões americanas reduziram os ganhos de comercialização decorrentes da exportação de manufaturados baratos para os paises ocidentais e para os EUA. Face ao crescimento dos custos de produção - especialmente do valor dos imóveis e terras urbanas -, os custos muito mais baixos e o câmbio desvalorizado na China exerciam amplo estímulo para o descolamento de capitais de Hong Kong, formosa e Japão - além da Coréia do Sul em menor grau – atraídos por taxas de lucros mais elevadas nas zonas econômicas especiais. A partir de 1989, as relações com os EUA começam a mudar. Fazendo uso de seu direito de voto no Banco Mundial e no banco de Desenvolvimento Asiático os EUA bloqueiam os pedidos de empréstimos chineses sob o pretexto de desrespeito aos direitos humanos. Em 1995, o Japão suspendeu a concessão de auxílio à China.
No entanto, a partir de 1992 o país passou a adotar uma ousada liberalização comercial e financeira e suas taxas de crescimento foram catapultadas para níveis não vistos entre as economias capitalistas nas últimas duas décadas. Esse crescimento se deve ao aumento dos investimentos diretos e estrangeiros (IDE) no país. Neste ano o governo chinês decidiu liberalizar significamente o seu regime de IDE.
Segundo Jabbour (2004) as liberalizações do acesso a investimentos externos vieram anteriores à liberalização das importações. Ainda segundo o mesmo autor gradualismo chinês é demonstrado com a lenta queda dos regimes tarifários, de preços e de câmbio nos anos 90.
Com isso observar-se um gradativo aumento na participação do país no comércio mundial.
Em meio ao boom das exportações e dos ingressos de IDE e com a manutenção do yuan desvalorizado o banco central chinês passou a adotar uma política de formatação de reservas. Neste contexto observamos o aumento das pressões bilaterais dos EUA e secundariamente do Japão e da UE contra o seu regime cambial e seus mecanismos de controle de capital.
Segundo (Medeiros – 2006) o controle dos fluxos de capitais externos e a magnitude de suas reservas permitiam o país responder à contratação do ritmo de crescimento de suas exportações decorrentes da crise asiática com um elevado esforço de gastos públicos voltados à construção civil e infra-estrutura.
Com a expansão da renda urbana e da renda rural a demanda por residências e bens de consumo vem impulsionando o mercado chinês.
O crescimento das exportações chinesas se deu num contexto de forte expansão conjunta dos países asiáticos cuja quota nas exportações mundiais de manufatura expandiu-se na última década.
Ainda segundo Medeiros (2006) a afirmação de China como um “duplo pólo” na economia mundial – principal e grande mercado para a produção mundial de máquinas e equipamentos, indústrias, indústrias de tecnologia e de matérias-primas – tem gerado importante impacto sobre a região asiática. Esse “duplo pólo” se deve ao deslocamento das exportações de diversos produtores asiáticos destas manufaturas para os produtos chineses e como também se deve ao fato da China vir absorvendo um amplo fluxo de exportações destes países em especial de produtos insumos, partes e componentes e bens de capital.
Estes movimentos de com amplos impactos nos fluxos de comércio e investimento estão associados à decisão das grandes corporações de consolidar na China a base manufatureira mundial de bens eletrônicos de consumo.

Referência Bibliográfica:
JABBOUR, Elias Marco Khalil. Infra-estrutura em energia e transportes e crescimento econômico na China. Dissertação de mestrado. São Paulo: USP, 2004.

KILSZTAJN, Samuel. O Acordo de Bretton Woods e a evidência histórica (o sistema financeiro internacional no pós-guerra). Revista de Economia Política, vol. 9, n°4, out-dez/1989.

MEDEIROS, Carlos Aguiar de. Economia e política do desenvolvimento recente na China. Revista de Economia Política, vol. 19, n° 3 (75), jul-set/1999.

_____________________. A China como um duplo pólo na economia mundial e a recentralização da economia asiática (Versão preliminar). Rio de Janeiro: UFRJ, 2006. Disponível em: http://www.ie.ufrj.br/download/index.php. Acesso feito em 13/05/2006.

NETO, Aristide Monteiro. Dilema do desenvolvimento na China: crescimento acelerado e disparidades regionais (da Revolução Comunista à Globalização). IPEA, texto para discussão n° 1126, out/2005.

RIBEIRO, Nelson; MENDONÇA, Antonio. A crise econômica atual: um ensaio de interpretação marxista. Revista de Economia Política, vol. 6, n° 4, out-dez/1986.

Tesouro Direto Hoje – 26/09/2025

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