quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Morning Call - 02/08/2018

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Por Carlos Soares, CNPI

Os juros futuros na Bolsa fecharam o dia em direções distintas com as taxas com vencimentos mais próximos (até meados de 2023) recuando e com os vencimentos mais longos projetando maiores altas nos juros por aqui.

No cenário externo o Banco Central norte-americano (Federal Reserve) afastou momentâneamente maiores preocupações quanto ao ritmo de alta na taxa de juros ressaltando que o país segue mantendo um crescimento robusto com taxas de inflação dentro de sua meta, ou seja, próximo de 2,0%.

Com a forte geração de emprego, o custo da mão-de-obra pode registrar aumento e, juntamente com a alta dos preços das matérias-primas por conta da sobretaxação dos produtos importados, espera-se que ocorra algum repasse desse aumento nos custos sobre os preços dos produtos. Dentro de um contexto de economia aquecida, como observado hoje nos EUA, os consumidores ficam mais tolerantes aos aumentos dos preços o que reforça a pressão sobre a inflação norte-americana. Aumento na inflação leva a necessidade de intensificar o ritmo de alta taxa de juros na maior economia do planeta, hipótese ao menos no curto prazo descartada após a sinalização dada pelo Federal Reserve na tarde desta quarta-feira. Portanto, enxergo que apenas uma surpresa no quadro inflacionário dos EUA pode disparar o gatilho para uma reversão nas expectativas dos investidores, cenário plausível dado os riscos citados acima até a próxima reunião do Fed que ocorrerá em setembro.


Por aqui, a taxa Selic foi mantida em 6,50% e por meio de seu comunicado após o encontro afirmou, dentre outras coisas, que mesmo apresentando alguma acomodação, o cenário externo segue desafiador, portanto, em linha com minha avaliação acima exposta.

Assim sendo, reforço meu call desta quarta-feira onde afirmei que:

"Diante disso e vislumbrando que teremos ainda nesta semana os dados de emprego nos EUA, além da disputa eleitoral que ganhará força a partir deste mês, e sem perspectivas de novas quedas na Selic, sigo recomendando cautela em relação aos títulos mais sensíveis a curva de juros que são negociados no Tesouro Direto, quais sejam, todas as modalidades de Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado".

Bom dia e bons negócios






quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Morning Call - 01/08/2018

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Por Carlos Soares, CNPI

As taxas de juros futuras negociadas na Bolsa encerraram em alta nos contratos com vencimentos mais distantes (vértices longos da curva, no jargão do mercado) seguindo de perto a variação do dólar.

Além do vencimento dos contratos futuros, pode-se observar que o movimento de alta da divisa norte-americana ocorreu em relação a praticamente todas as moedas emergentes (imagem abaixo) num claro compasso de espera pela reunião do Fomc, que deve manter inalterada a taxa de juros nos EUA, e do comunicado que será divulgado após o encontro hoje, a partir das 15:00. O documento será de suma importância pois poderá sinalizar os próximos passos na condução da política monetária dos EUA - a sinalização de duas altas na taxa de juros neste ano pode desencadear uma correção para baixo dos ativos globais, pressionando o dólar e os juros futuros mais longos.


Hoje também teremos, por aqui, o Copom que não deve trazer grandes surpresas quanto a sinalização de manutenção da taxa Selic para os próximos meses. Por ora se observa que o balanço de riscos, como a autoridade monetária brasileira costuma divulgar em seus comunicados, apresentou melhora principalmente em relação a inflação. Os efeitos da greve dos caminhoneiros se dissiparam e a ociosidade da economia segue elevada com o mercado de trabalho formal ainda patinando, conforme apresentado pelo IBGE nesta terça-feira.

Diante disso, vislumbrando ainda que teremos nesta semana os dados de emprego nos EUA, além da disputa eleitoral que ganhará força a partir deste mês, e sem perspectivas de novas quedas na Selic, sigo recomendando cautela em relação aos títulos mais sensíveis a curva de juros que são negociados no Tesouro Direto, quais sejam, todas as modalidades de Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado.

Bom dia e bons negócios















terça-feira, 31 de julho de 2018

Morning Call - 31/07/2018

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Por Carlos Soares, CNPI

Com uma agenda esvaziada, mas às vésperas de uma bateria de eventos econômicos por aqui e no exterior, inclusive se refletindo no reduzido volume de negócios na Bolsa, os juros futuros seguiram de perto a variação do dólar e encerraram a sessão desta segunda-feira em leve alta.

Este mesmo tom de cautela se refletiu no rendimento dos Treasuries de 10 anos (o equivalente ao Tesouro Direto dos EUA) que encerrou o dia também em ligeira alta, próximo do patamar psicológico de 3%, conforme podemos observar no gráfico abaixo:

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Nesta terça-feira a agenda econômica começa a ganhar força com a divulgação da taxa de desemprego no nosso país às 9:00 e, mais tarde, às 9:30, será conhecido o Núcleo do Índice de Preços PCE (core PCE), o dado de inflação predileto do Federal Reserve para a condução da política monetária nos EUA. As expectativas apontam para uma alta de 2,0% do núcleo de inflação norte-americano e, caso o indicador fique acima deste nível, não descarto alguma pressão negativa sobre os ativos globais, inclusive no nosso mercado.

Além da divulgação da taxa de desemprego do segundo trimestre (est. 12,6%), temos como destaque na agenda local o início do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) que se encerra na quarta-feira, após o fechamento, e deve decidir pela manutenção da taxa Selic em 6,5% ao ano.

A sessão desta terça-feira deve ser de cautela com o mercado podendo entrar em compasso de espera pelo comunicado que será dado pelo Federal Reserve que também se reúne amanhã. Restam dúvidas se teremos mais uma ou duas elevações na taxa de juros norte-americana e o teor desse comunicado, juntamente com os indicadores que serão conhecidos a partir de hoje, serão de suma importância para as apostas do mercado.

Resta-nos por ora apenas apertar os cintos, pois a partir de hoje a semana promete ser de fortes emoções!

Sigo recomendando cautela em relação aos títulos prefixados e indexados ao IPCA, pois são os que podem ser mais penalizados em momentos de maior volatilidade (oscilação de preços) caso necessite resgatá-los antecipadamente.

Bom dia e bons negócios!






segunda-feira, 30 de julho de 2018

Morning Call - 30/07/2018

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Por Carlos Soares, CNPI

Sem grandes percalços no quadro político/eleitoral e com o reforço da melhora do humor no exterior, os investidores voltaram às compras dos ativos locais levando a queda do dólar e dos juros futuros negociados na Bolsa.

Em pesquisa divulgada nesta sexta-feira, o mercado se deparou com um cenário de fortalecimento das candidaturas com viés mais reformista, notadamente do candidato tucano Geraldo Alckmin, o que cria uma expectativa em torno de uma agenda econômica que possa ajudar a conter a deterioração das contas públicas no próximo governo e reforça o apetite dos investidores pelo mercado brasileiro. Como resultado dessa melhora tivemos o recuo do dólar (gráfico abaixo) que também ajudou na alta dos preços dos títulos negociados no Tesouro direto por conta da queda das taxa de juros futuras.

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Lá fora o crescimento da economia norte-americana, mesmo vindo forte, ficou dentro do esperado com uma alta de 4,1% na primeira prévia do segundo trimestre - caso o resultado tivesse ficado acima poderíamos ter tido uma piora nos ânimos por causa dos riscos que traria em relação a inflação e alta dos juros nos EUA.

Por falar de inflação nos EUA teremos nesta terça-feira a divulgação do indicador de preços preferido do Federal Reserve: o core PCE. Segundo estimativas do mercado, o indicador deve ter apresentado uma alta de 2,0% em termos anuais no mês de junho - algo acima disso pode levar a alta do dólar pelos motivos motivos citados acima.

Por aqui, nos EUA e no Japão teremos os encontros de política monetária que devem decidir pela manutenção de suas de juros. Contudo, os investidores ficarão de olho na sinalização dada após o encontro sobre os próximos passos para a retirada ou não dos estímulos monetários (no caso do Japão e dos EUA) ou por quanto tempo será mantida a taxa Selic (Brasil). Os encontros se encerram na terça-feira (Japão) e na quarta-feira (Brasil e EUA).

Mais para o final desta semana as atenções se voltam para os dados de emprego nos EUA cujas expectativas apontam para a criação de 190 mil vagas no mês de julho. Um detalhe importante neste resultado que também será conhecido na sexta-feira (03) será a evolução dos ganhos médios por hora trabalhada que, segundo as projeções, pode ter registrado alta de 2,7% na comparação anual no mês de julho.

Diante da semana mais carregada de indicadores econômicos vislumbro um cenário de maior volatilidade (oscilação dos preços) para os próximos dias. Devemos observar nos próximos dias se as medidas adotadas pelo governo Trump ao longo deste ano, especialmente a sobretaxação de diversos produtos importados, começam ou não surtir efeito sobre o nível de preços da economia norte-americana. Quaisquer sinalizações apontando para uma alta na inflação pode disparar (ser o gatilho ou o trigger, no jargão do mercado financeiro) uma correção nos ativos globais e, por aqui, especialmente sobre o dólar, Bolsa, títulos indexados ao IPCA e prefixados no Tesouro Direto. Sendo assim, o cenário segue de cautela para os próximos dias e ficamos no aguardo da divulgação dos indicadores no decorrer desta semana.

Bom dia e bons negócios!






sexta-feira, 27 de julho de 2018

Morning Call - 27/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Como tenho vislumbrado no cenário econômico mundial nestes últimos dias "diante de uma postura errática de Donald Trump em relação ao comércio mundial, sigo vislumbrando um cenário de incertezas para os ativos de risco". Nesta quinta-feira foram estas incertezas que contribuíram para a alta do dólar não apenas no Brasil como também em outros países emergentes, como Africa do Sul e Turquia (vide gráfico abaixo). Segundo o noticiário internacional, o acordo firmado entre os EUA e a Europa na quarta-feira ajudou a diminuir as preocupações relacionadas às tensões comerciais entre as duas economias, mas reacendeu as preocupações acerca de novas investidas do governo Trump sobre a China. Ao esfriar os ânimos dos investidores em relação ao cenário benigno para China nos últimos dois dias (vide o Morning Call de ontem), a moeda norte-americana registrou uma sessão de alta nesta quinta-feira e contribuiu para a abertura (alta) das taxas de juros futuras negociadas na Bolsa. Resultado disso: recuo dos preços dos títulos do Tesouro Direto, em especial prefixados e indexados ao IPCA, tanto para a compra quanto para a venda antecipada.



Também chamou atenção nesta quinta-feira a divulgação dos pedidos iniciais por seguro-desemprego nos EUA que atingiram 217 mil novos pedidos na semana encerrada em 21 de julho, ante os 208 mil novos pedidos registrados na semana anterior (até o dia 14 de julho) que foi o mais baixo número de pedidos desde dezembro de 1969 (gráfico abaixo), o que reforça o aquecimento do mercado de trabalho norte-americano. Somado aos cortes de impostos promovidos no início deste ano e de uma possível alta nos preços das matérias-primas decorrentes da sobretaxação de diversos produtos promovida pela administração Trump nos últimos meses, não descarto a possibilidade de que tenhamos uma pressão na inflação dos EUA o que pode forçar o Federal Reserve a intensificar o ritmo de alta nas taxas de juros nos próximos anos. Como tenho demonstrado nos últimos posts: uma alta nos juros por lá representa um risco para nós.


Na agenda econômica desta sexta-feira (27) destaque para a primeira prévia do desempenho da economia norte-americana (PIB) do segundo trimestre de 2018 cujas expectativas apontam para um crescimento de 4,1%.

Bom dia e bons negócios!






quinta-feira, 26 de julho de 2018

Morning Call - 26/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Ainda repercutindo o pacote de estímulos chinês, os emergentes seguiram registrando mais um dia de ganhos na sessão desta quarta-feira (25). A combinação de cortes de impostos e investimentos em infraestrutura, na ordem de US$ 74 bilhões, foi adotada para lidar com as incertezas comerciais que ameaçam o crescimento econômico do gigante asiático. Além de ajudar a sustentar o crescimento econômico do país, o pacote anunciado pelo governo chinês cria a expectativa de que o consumo por matérias-primas continue firme e siga sustentando os preços destes insumos o que é benéfico para países que são grandes produtores como o Brasil e a África do Sul, por exemplo.

Resultado disso: a exemplo do ocorrido nesta terça-feira tivemos a queda do dólar em relação aos principais emergentes, como podemos notar no gráfico abaixo. Vale ressaltar que a queda do dólar ajuda a mitigar as preocupações em torno da inflação o que leva ao recuo nas taxas de juros futuras negociadas na Bolsa e contribui para a alta nos preços dos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto.


No front local o mercado ainda comemora o apoio do Centrão a candidatura de Geraldo Alckmin por apresentar uma tendência mais reformista em relação às demais candidaturas. Embora possa fortalecer o candidato tucano, esta aliança ainda não deve se refletir nas próximas pesquisas de intenções de votos o que, na minha visão, pode gerar alguma realização nos próximos dias.

Além das medidas de estímulos da China, o cenário externo segue atento às tratativas de Donald Trump junto aos seus parceiros comerciais.


Com a proximidade do início das campanhas eleitorais por aqui, previstas para o final do próximo mês, e diante de uma postura errática de Donald Trump em relação ao comércio mundial, sigo vislumbrando um cenário de incertezas para os ativos de risco. Diante disso, quanto aos títulos negociados no Tesouro Direto, recomendo cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados.


Bom dia e bons negócios!






quarta-feira, 25 de julho de 2018

Morning Call - 25/07/2018

Mapa do Tesouro

Por Carlos Soares, CNPI

Mesmo com as tensões comerciais e o risco de alta nas taxas de juros das principais economias no radar dos investidores, o cenário externo trouxe alívio aos ativos locais. Desta vez a boa notícia veio da China com o gigante asiático sinalizando a possibilidade de anunciar novos estímulos para sua economia. Novos estímulos se traduzem em aumento/sustentação do consumo chinês o que sustenta também os preços das matérias-primas (commodities), beneficiando os países emergentes, como nós, grandes produtores de insumos. Resultado disso: queda do dólar (vide gráfico abaixo) e recuo nas taxas de juros futuras, neste caso beneficiando, na minha opinião, pontualmente os títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto.

Texto alternativo

O quadro político segue em compasso de espera devendo ganhar força a partir do próximo mês quando se aproxima o início das campanhas eleitorais. De novo apenas a sinalização feita pelo presidenciável Geraldo Alckimin de que, se eleito, não retornará com a contribuição sindical obrigatória abolida com a reforma trabalhista.

Diante de uma agenda econômica esvaziada, o mercado deve seguir sendo ditado pelo cenário externo que, como venho reforçado nos últimos dias, segue incerto diante da iminência de novos anúncios de sobretaxação de produtos importados pelos EUA que pode deflagrar uma guerra comercial entre as principais economias do planeta.

Sendo assim, sigo recomendando cautela em relação aos títulos indexados ao IPCA e prefixados negociados no Tesouro Direto, que são os que apresentam as maiores variações nos preços.


Bom dia e bons negócios!






Tesouro Direto Hoje – 26/09/2025

Análise Tesouro Direto: Queda dos Juros e o Efeito Marcação a Mercado Tesouro ...